29 setembro 2008

Ramana Maharshi



“Foi mais ou menos seis semanas antes de deixar Madurai permanentemente
que a grande mudança ocorreu na minha vida. Aconteceu inesperadamente. Eu
estava sentado sozinho em uma sala do primeiro andar da casa de meu tio. Eu
raramente adoecia, e naquele dia minha saúde estava normal, mas repentinamente eu
fui tomado por um violento medo de morrer. Nada no meu estado de saúde explicava
isso, e eu não tentei justificar esse medo, nem procurei suas causas. Eu apenas senti
‘Vou morrer’ e comecei a pensar o que fazer a respeito disso. Não pensei em
consultar um médico, meus parentes ou meus amigos; eu senti que precisava resolver
o problema por mim mesmo, ali mesmo.
O choque do medo da morte fez minha mente voltar-se para o interior, e eu
disse a mim mesmo, sem na verdade moldar em palavras: ‘Agora a morte chegou; o
que isso significa? O que está morrendo? O corpo morre.’ Então imediatamente
comecei a dramatizar a ocorrência da morte. Eu deitei com os meus membros
esticados e duros como se estivesse ocorrendo o rigor mortis, e imitei um cadáver
para tornar a inquirição mais realista. Prendi a respiração e mantive os lábios
firmemente fechados a fim de não deixar escapar nenhum som, de maneira que nem
mesmo a palavra “eu” e nem qualquer outra palavra pudesse ser pronunciada.
‘Então’, disse a mim mesmo, ‘este corpo está morto. Ele vai ser carregado duro até a
pira de fogo e lá será queimado e reduzido a cinzas. Mas com a morte deste corpo eu
morro? Este corpo é o Eu? Ele está silencioso e inerte, mas eu sinto a força total de
minha existência, e até mesmo a voz do “eu” dentro de mim, separadas do corpo.
Então eu sou o espírito que transcende o corpo. O corpo morre mas o Espírito que o
transcende não pode ser tocado pela morte. Isso significa que eu sou o Espírito
Imortal’. Isso tudo não foi um pensamento obscuro; foi uma verdade viva que
brilhou através de mim e que percebi diretamente, quase sem o processo do
pensamento. ‘Eu’ era algo muito real, a única coisa real no meu estado presente, e
todas as atividades conscientes ligadas ao meu corpo estavam centradas naquele
‘Eu’. A partir daquele momento o ‘Eu’ ou ‘Si-mesmo’ focou a atenção em si mesmo
por meio de uma poderosa fascinação. O medo da morte desapareceu de vez, e a
absorção no Eu Real continuou ininterrupta desde então.”
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