27 dezembro 2009

A mente solitária

É uma coisa extraordinária descobrir por si mesmo o que significa compreender alguma coisa imediatamente, sem uma porção de palavras - ver um fato como um fato, completamente, sem argumentação. A partir desse ato de ver, a pessoa pode argumentar, discutir, entrar em detalhes; mas primeiro a pessoa tem que ter essa espantosa intensidade de ver pois é o próprio ato de ver - ver sem pensamento - que provoca a transformação. Isto pode parecer um tanto absurdo, mas não é, como vocês descobrirão quando investigarmos mais tarde.

Para ver, para ouvir, a mente deve estar completamente e espontaneamente quieta - não forçada, não empurrada para a quietude. Só uma mente quieta pode ouvir, pode ver, não uma mente que tem inumeráveis problemas. Quando a mente percebe que não pode ver porque tem muitos problemas, esse próprio saber que ela não pode ver provoca o ato de ver.

Tudo isto demanda uma extraordinária atenção. Quando você pode dar toda atenção, não só atenção intelectual ou verbal, mas quando todo o seu ser - corpo, mente, e emoção - está atento, você está então num estado da mais alta sensibilidade, e apenas tal mente é virtuosa.

Por favor, ouçam isto. O homem que se esforça pela virtude não é um homem virtuoso. O homem que se esforça para ser bom, amável, não é bom ou amável, porque bondade, amabilidade, ou amor só surgem quando a mente está tão completamente atenta que não tem conflito.



...só uma mente que está completamente só pode descobrir a realidade. E existe uma realidade - não uma realidade teórica, não algo inventado pelos cristãos ou pelos hindus ou vivenciado por alguns santos de acordo com seu condicionamento particular, mas uma realidade, uma imensidão que pode ser descoberta apenas por uma mente que viu através de seus próprios caminhos e compreendeu a si mesma...

Retirado do site: ICK

21 dezembro 2009

Maior bem



…”O maior bem é o conhecimento da união da mente com a natureza (…) Quanto mais a gente sabe, melhor compreende as forças e a ordem da natureza; quanto mais compreende suas forças ou seu poder, melhor será capaz de dirigir a si mesmo e estabelecer as leis para si mesmo; e quanto mais compreender a ordem da natureza, mais condições terá de se libertar das coisas inúteis; o método é este”.

15 dezembro 2009

Eras, Ciclos e Períodos - Fatores Discursivos


O tempo ocidental se baseia numa visão totalmente linear. Os anos são contados a partir de uma hipótese (data aproximada do nascimento de Cristo – ano zero); ou seja, em nenhum momento, as festas anuais estão em sincronia com os fluxos cósmicos. Já para o oriental, em particular o chinês, tudo se fundamenta em ciclos energéticos que se repetem infinitamente e refletem a própria força da Natureza. Assim, tanto o povo quanto os sábios calculavam as “probabilidades do destino” observando o movimento lunar e solar na chamada esfera celestial.

O complexo calendário utilizado na China foi construído levando-se em conta o casamento de três fatores temporais: os Troncos Celestiais (Steams), associados às expressões puras do Wu Xing (Cinco Ciclos do Qi) nas polaridades Yin (absorção) e Yang (expansão); Ramos Terrestres (Branches), que são energias misturadas e demonstram o posicionamento da Terra em relação ao Sol (para facilitar a compreensão da população, eram associados às estações do ano); e Luo Shu (números do Quadrado Mágico), método que ordena o tempo em Períodos (20 anos), Ciclos (3 períodos – 60 anos), Eras (3 Ciclos – 180 anos) e Épocas (20 eras – 3600 anos).

Aos Troncos, nos referimos:

1. Jia (Madeira Yang);
2. Yi (Madeira Yin);
3. Bing (Fogo Yang);
4. Ding (Fogo Yin);
5. Wu (Terra Yang);
6. Ji (Terra Yin);
7. Geng (Metal Yang);
8. Xin (Metal Yin);
9. Ren (Água Yang);
10. Gui (Água Yin);

Aos Ramos, nos referimos:

I Zi /Rato (Água Yin);
II Chou /Búfalo (Terra Yin /Água Yin / Metal Yin);
III Yin /Tigre (Madeira Yang /Fogo Yang /Terra Yang);
IV Mao /Coelho (Madeira Yin);
V Chen /Dragão (Terra Yang /Madeira Yin /Água Yin);
VI Si /Serpente (Fogo Yang /Metal Yang / Terra Yin);
VII Wu /Cavalo (Fogo Yin /Terra Yin);
VIII Wei /Cabra (Terra Yin /Fogo Yin / Madeira Yin);
IX Shen /Macaco (Metal Yang /Água Yang / Terra Yang);
X You /Galo (Metal Yin);
XI Xu /Cachorro (Terra Yang /Metal Yin /Fogo Yin);
XII Hai /Porco (Água Yang /Madeira Yang);

Os números arábicos ímpares só podem se associar com os números romanos ímpares, e as combinações entre números pares seguem a mesma lógica (Yang-Yang / Yin-Yin, respectivamente). Sessenta combinações possíveis denominados Binômios surgem das relações Tronco/Ramo, e a cada ano, um novo binômio se instaura (Macaco de Madeira Yang – 1/IX em 2004).

Já os números do Luo Shu são separados em 9 qualidades denominadas Estrelas. Cada uma se relaciona com 20 anos do nosso calendário (Períodos), e nos esclarecem sobre as predições num sentido global. Assim, teríamos resumidamente, os significados estelares:

Branca 1 – Criatividade / Período de Paz;
Preta 2 – Doenças / Revolução na medicina;
Jade 3 – Grandes aberturas / Disputas, guerras;
Verde 4 – Relações pessoais / Evolução cultural;
Amarela 5 – Instabilidades sociais/ Guerras;
Branca 6 – Grandes corporações / Estratégia, conquistas;
Vermelha 7 – Pesquisas esotéricas / Expansão das tecnologias de comunicação;
Branca 8 – Evolução consistente / Introspecção, busca consciencial;
Púrpura 9 – Comemorações / Aberturas intercontinentais;

O Período 8 se iniciou em 2004, e continuará regendo até 2023. Perceba ainda que os 60 Binômios se associam a um Ciclo (3 Períodos – 60 anos), e que a cada 180 anos (uma Era), teríamos o início de todos os calendários (Estrela 1 / Ano 1-I, Rato de Madeira Yang).

O Calendário solar chinês inicia-se no dia 4 ou 5 de fevereiro, ou seja, quando o Sol passa a 15 Graus do Signo de Aquário (momento cósmico-terrestre em que o Yin se transforma em Yang). É interessante notar que pela astrologia ocidental, a cada 3600 anos (uma Época) ocorre uma conjunção muito rara entre Netuno-Urano, Saturno-Júpiter, junto com um alinhamento especial de todos com a Terra. Outras tradições orientais, como a hindu, utilizam relações muito próximas ao contexto chinês (segundo consta, em 4564, uma nova época terá inicio). Seria o fim da Kali Yuga e o retorno ao auge do Ouro / Sat Yuga ? Especulações a parte, uma certeza é constatada: a total relação do conceito temporal descoberto pelos antigos chineses com os ciclos cósmicos naturais, e da sabedoria que o mitólogo Mircea Eliade descreveu como o “Mito do Eterno Retorno”.

Por Marcos Murakami
Retirado do site: www.marcosmarakami.com.br

08 dezembro 2009

TAO



~~The Dao (tao) which you try to express in words is not complete truth,but is partial Dao.~~
~~~~~The Dao is absolute reality, the true meaning of which is beyond words.~~~~
~~~~~How can truth be expressed when you have not experienced it?~~~~
~~~~~In dao the motion is a return, see death as Circulation.~~~~
~~~~~ Going to be dead forever? or live forever?~~~~~~
~~~~~ Who am I ? before I am who am I?~~~~
~~~~~What's mean be Natural?~~~~~
~~~~What's our morality?~~~~
~~~~Ture Love? ~~~~
~~~WuWei?~~~
~~Dao?~~
~1?~
O

COMO?

Ora, como se sente o todo? Entendeis o que quero dizer? Sentir, não apenas como inglês, mas sentir a totalidade da humanidade; sentir não apenas a beleza das paisagens da Inglaterra, que são realmente belas, porém a beleza de toda a Terra; sentir o amor total — não apenas o amor por minha mulher e meus filhos, mas o sentimento total de amor; conhecer o sentimento total da beleza, não da beleza de um quadro pendente da parede, ou de um sorriso num rosto belo, ou de uma flor, de um poema, porém aquele sentimento de beleza que transcende todos os sentidos, todas as palavras, toda expressão. Como sentir assim?

VOCÊ SABIA?

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:

· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais....



Esse lugar existe!

O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras!

Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.


Divulgue para o máximo de pessoas!

23 novembro 2009

Tao Te Ching

De Tao veio o Um.
Do Um veio o Dois.
Do Dois veio o Três.
E o Três gerou os Muitos.
Toda a vida surgiu da Treva
E demanda a Luz.
A essência da vida engendra
A harmonia das duas forças.
Nenhum homem quer ser solitário
Abandonado e insignificante.
Reis e príncipes se dizem ser assim
Porque sabem do mistério:
Que o inconspícuo será exaltado
E o importante decairá.
Por isto, ensino também eu
O que outros ensinavam:
Quem age egoicamente
Está morto
Antes de morrer.
É este o ponto de partida da minha filosofia.

Tao Te Ching

29 outubro 2009

Água ou Coca-cola????


Água

Um copo de água corta a sensação de fome durante a noite para quase 100% das pessoas em regime. É o que mostra um estudo na Universidade de Washington. Falta de água é o fator nº. 1 da causa de fadiga durante o dia. Estudos preliminares indicam que de 8 a 10 copos de água por dia poderiam aliviar significativamente as dores nas costas e nas juntas em 80% das pessoas que sofrem desses males.

Uma mera redução de 2% da água no corpo humano pode provocar incoerência na memória de curto prazo, problemas com matemática e dificuldade em focalizar um écran de computador ou uma página impressa. Beber 5 copos de água por dia diminui o risco de câncer no cólon em 45%, pode diminuir o risco de câncer de mama em 79% e em 50% a probabilidade de se desenvolver câncer na bexiga.

Você está bebendo a quantidade de água que deveria, todos os dias?


Coca-Cola

Em muitos estados nos EUA as patrulhas rodoviárias carregam dois galões de Coca-Cola no porta-bagagens para serem usados na remoção de sangue na estrada depois de um acidente. Se você puser um osso numa uma tigela com Coca-Cola ele se dissolverá em dois dias. Para limpar casas de banho: despeje uma lata de Coca-Cola dentro do vaso e deixe a "coisa" decantar por uma hora e então dê descarga. O ácido cítrico na Coca-Cola remove manchas na louça. Para remover pontos de ferrugem dos pára-choques cromados de automóveis esfregue o pára-choques com um chumaço de papel de alumínio (usado para embrulhar alimentos) molhado com Coca-Cola.

Para limpar corrosão dos terminais de baterias de automóveis despeje uma lata de Coca-Cola sobre os terminais e deixe efervescer sobre a corrosão.Para soltar um parafuso emperrado por corrosão aplique um pano encharcado com Coca-cola sobre o parafuso enferrujado por vários minutos.

Para remover manchas de graxa das roupas despeje uma lata de Coca-Cola dentro da máquina com as roupas com graxa, adicione detergente. A Coca-cola ajudará a remover as manchas de graxa.

A Coca-cola também ajuda a limpar o embaçamento do pára-brisa do seu carro. Para sua informação: O ingrediente ativo na Coca-Cola é o ácido fosfórico.

Seu PH é 2,8. Ele dissolve uma unha em cerca de 4 dias. Ácido fosfórico também rouba cálcio dos ossos e é o maior contribuinte para o aumento da osteoporose. Há alguns anos, fizeram uma pesquisa na Alemanha para detectar o porquê do aparecimento de osteoporose em crianças a partir e 10 anos (pré-adolescentes). Resultado: Excesso de Coca-Cola, por falta de orientação dos pais.

Para transportar o xarope de Coca-Cola , os caminhões comerciais são identificados com a placa de Material Perigoso que é reservado para o transporte de materiais altamente corrosivos.

Os distribuidores de Coca-Cola têm usado a Coca para limpar os motores de seus caminhões há pelo menos 20 anos.

Mais um detalhe: A Coca Light tem sido considerada cada vez mais pelos médicos e pesquisadores como uma bomba de efeito retardado, por causa da combinação Coca + Aspartame, suspeito de causar lúpus e doenças degenerativas do sistema nervoso.

 A pergunta é: Você gostaria de um copo de água ou um copo de Coca-Cola?

28 outubro 2009

Um koan famoso


"Batendo duas mãos uma na outra temos um som;
qual é o som de uma mão?"

20 outubro 2009

KOAN - A grande sorte


Um velho fazendeiro trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.
- Que má sorte! - eles disseram solidariamente.
- Talvez - o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.
- Que maravilhoso!- os vizinhos exclamaram.
- Talvez - replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.
- Que pena - disseram.
- Talvez - respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.
O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:
- Talvez.

16 outubro 2009

EROS E PSIQUE


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

FERNANDO PESSOA

17 setembro 2009

Lian Gong em 18 Terapias

Essa prática foi escolhida pelo governo de Shangai para ser amplamente divulgada para a população e o Dr. Zhuang, o seu criador, recebeu o prêmio de "Pesquisa Científica de Resultado Relevante".
Doutor Zhuang, uniu conhecimentos da MTC – Medicina Tradicional Chinesa e a Moderna Medicina Ocidental, com as artes guerreiras e os antigos exercícios terapêuticos.
O objetivo principal do Lian Gong em 18 Terapias é a de tratar e prevenir dores no corpo, inúmeros problemas osteosmusculares, articulações, etc. hoje tão freqüente nas condições da vida moderna, além de atuar nas disfunções dos órgãos internos e problemas respiratórias.
São exercícios preventivos e curativos, cuja pratica põe em movimento o “Chi” (energia vital) em especial ao “Zhen Chi” ou “Chi Verdadeiro” no organismo, termos encontrados nos fundamentos da MTC medicina tradicional chinesa, que diz o seguinte: “Quando o Zhen Chi esta pleno no interior do corpo humano , os fatores negativos não podem invadir”.
Ajuda na circulação do sangue, dissolve aderências e inflamações dos tendões.
Restaura a movimentação natural, melhorando a resistência e a vitalidade do organismo.

31 agosto 2009

O Koan Mu – O Cão de Joshu

Os métodos mais usados no Zen com vista à iluminação, satori, em Japonês, são o trabalho sobre a respiração, a postura e os koans. O Budismo Zen Japonês divide-se essencialmente em duas escolas: Soto e Rinzai. A primeira valorizou os dois primeiros métodos enquanto que a segunda deu ênfase essencialmente ao método dos Koans.

Caligrafia de Setsudo Genko (m. 1853)

Esta caligrafia de Setsudo Genko tem como tema o «Koan Mu».

MU
Engole todo o oceano de MU
e rumina-o.

O koan é um problema que o discípulo do zen deverá resolver, mas cuja solução não se atinge pelo pensamento intelectual.

Os Koans mais famosos foram compilados por Mumon Ekai (1183-1260) sob o título de Mumonkan - a Porta sem porta.

Eles são as portas para a verdade e para a libertação. Mas estas não são portas já abertas, mas portas a abrir, daí que no próprio Mumonkan se possa ler:

«O grande caminho não tem porta,
Milhares de estradas lá vão dar.
Aquele que atravessa essa porta sem porta
Caminha livremente entre o céu e a terra.»

O mais famoso de todos os koans, aquele que mais do que qualquer outro foi objecto de meditação por parte dos discípulos do Zen, é aquele com que abre o Mumonkan: o Koan Mu. Este koan é apresentado do seguinte modo:

«Um monge perguntou a Joshu: “um cão possui a natureza de Buda?”
Joshu respondeu: “Mu”»

Mu significa “nada” mas à meditação sobre este koan, não interessa o significado da palavra “Mu”.
O texto que apresentamos aqui é o comentário do próprio Momon Ekai a este koan.


Poema de Momon Ekai:

Um cão, a natureza se Buda! –
Isto é a apresentação do todo, o absoluto imperativo!
Mal comeces a pensar “tem”, “não tem”
És um homem morto.

___________________________________________

* A palavra original designa simultaneamente “porta” e “barreira”
** Kuan foi um general invencível em combate com a sua espada “azul-dragão”

Artigo de: Manuel Galrinho
Publicado em: www.aikideai.com

O "Eu"...


O "eu" é a muralha autodefensiva que nos separa da realidade. Ele tem horror ao presente e por isso procura sempre refúgios para manter a sua conti­nuidade.

É ele que cria todas as limitações, todos os refú­gios, todas as sutilezas geradoras de confusão e atrito. Quando o indivíduo desperta rompe com o passado, com todos os obstáculos, limitações e seitas. São estas coisas que segregam o indivíduo do todo, quando a fina­lidade da existência é a integração do indivíduo na vida universal. A princípio temos vislumbres dessa reali­dade, e então prelibamos a felicidade inexprimível do que seja o contato vivo, permanente, sem muralhas, com o Todo.

Esses vislumbres são rápidos contatos com a grande realidade, quando eles se tornam permanentes há o deslumbramento do ser e o contato vivo com o eterno vir a ser da vida universal. Nesse caso o indivíduo deixa de viver entre muralhas para ser uno com o mundo. Varre de si o sonho de que é parte autônoma e reconhece em si e no todo a mesma alma, a mesma essência, a mesma vida. A personalidade do ego edifi­cada nas areias do tempo foi dissolvida pelas águas da eternidade. E a vida deixa de ter além e aquém para só ter agora, porque o presente encerra a eternidade. Vivamos, pois, o momento que passa. Renunciar ao presente imediato é fugir e não entender. É um pretexto para continuar a sonhar. É a continuação do egoísmo que fez a vida social cruel e má.

A causa do conflito está na luta cruel, e titânica, existente entre a vida universal, cotidiana, incondicio­nada, dinâmica e plástica e a atitude que assumimos diante dela, porque nos apoiamos como meio autodefensivo sobre o passado cheio de afirmativas condicio­nadas, repleto de ilusões, sentimentos de posse e múl­tiplas particularidades. O conflito está aí — queremos sufocar a realidade presente com as sombras do pas­sado. A amplificação do "eu", que é separação, não pode conduzir ao universal. Á libertação não é a amplifi­cação do "eu", mas o desgaste do sentimento de separação.

Isso significa que a libertação é a extinção da sepa­ratividade e, portanto do ego. Quando o "eu" se quebra como uma bola de espuma, disse o Buda, seu conteúdo será conservado e viverá, na verdade, a vida eterna. Ou então como diz Krishnamurti: integrar-se no pre­sente sem lhe interpor o passado, que é o "eu", ou o futuro, que é ainda a sua continuação, é atingir a realidade, a perfeição verdadeira e absoluta.

O ser diz: eu sou vida. O “eu” diz: eu sou eu! O ser é indiferenciado, é universalidade, é uno com a vida total. O “eu” é separação. Todo o drama da existência se desenrola entre o ser que quer recuperar a sua liberdade e o “eu” que quer prolongar o seu enjaulamento.

Francisco Ayres
Texto estraido do site: Cuidar do Ser

17 agosto 2009

Novo Paradigma


"O novo paradigma (uma constelação de concepções, de valores, de percepções e de práticas compartilhados por uma comunidade e que estabelece uma visão particular da realidade) pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo 'ecológica' for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos)."


Fritjof Capra

11 agosto 2009

De que fonte nasce o pensamento?


Origina-se, certamente, da ansiedade, do desejo expansivo e transbordante, não é? Percepção, contato, sensação, dão origem à reflexão; então a ânsia gera estes desejos expansivos nos quais o pensamento fica embaraçado. Assim se dá o principio ao conflito dos opostos, o agradável e o doloroso, o transitório e o permanente.


Nossa consciência está presa no conflito das oposições, da dor e do prazer, das abstenções e identificações, do eu e do não-eu. O conteúdo da nossa consciência, que consideramos como o nosso ser inteiro, é composto desses valores duplos e contraditórios, tanto mentais como emocionais.


Observem vosso próprio processo de pensar e verificarão que nasce de qualquer temor, da ansiedade, afeição, esperança, da sensação do que é meu e do que não é. Em outras palavras, o pensamento está escravizado pelo desejo insaciável. Este pensamento dependente divide-se em superior e inferior, o consciente e o subconsciente, e há conflito entre os dois. O consciente influenciado pelo subconsciente, cria esta faculdade a que chamamos intelecto, a faculdade de discernir, de discriminar, de escolher.


A memória, a tradição, o valor imposto pela sociedade, pela religião, e a experiência pessoal influenciam nosso discernimento. O pensamento, em nossa vida diária, está ocupado com a criação, a continuidade e a modificação da tradição. Desembaraçar-se do conflito existente, impedi-lo de sugerir, e criar um estado no qual não haverá conflito; vencer alguma tristeza que haja, evitar qualquer surto futuro da tristeza, e encontrar a paz perdurável; este é o desejo da maioria de nós, não é? A vontade de desejos expansivos, com seus conflitos e dores; a vontade de renunciar; todas estas formas de vontade ainda estão dentro da limitação da ansiedade.


Se pudermos compreender o pleno significado de todas essas formas de vontade, e como elas procedem na vida, na ação, então, pelo percebimento intenso e discernimento, há uma compreensão que não é o resultado do simples controle, abstenção, ou renúncia. Esta compreensão é o resultado natural do profundo conhecimento do processo da ansiedade nas suas diferentes formas. Isto exige agudo interesse, do qual surge uma concentração espontânea. A compreensão não é uma recompensa; nasce no mesmo instante do percebimento.

Os desejos em expansão, com suas várias camadas de memórias, as divisões do superior e inferior, e os diferentes tipos de vontade, formam o conteúdo da nossa consciência. O intelecto, a faculdade de discernir, de escolher, está influenciado pelo passado, e se simplesmente confiarmos nessa faculdade para compreender, para amar, então nossa compreensão, nosso amor, serão limitados. A realidade, ou qualquer outro que se lhe queira dar, é para a maioria de nós, o produto do intelecto ou da emoção e, assim, deve, inevitavelmente, ser ilusão. Mas, se ficarmos vivamente apercebidos do processo da ansiedade, a compreensão virá naturalmente ao ser. Este percebimento não é auto-introspecção mórbida, mas uma viva, percepção alegre, na qual o conflito da escolha não mais tem lugar.


O conflito da escolha surge quando o intelecto, com seus temores e limitações do “meu” e de outros, do mérito e demérito, de fracasso e sucesso, começa a projetar-se na solução de nossos problemas humanos. É da ansiedade, nas suas diferentes formas, que precisamos ficar apercebidos; esta ânsia não é para ser negada ou repelida, mas compreendida. Pela simples abstenção ou renúncia o pensamento não se liberta do temor e de suas limitações.


Krishnamurti

Do livro: Palestra por Krishnamurti em Ojai e Saróbia - 1940 - ICK

30 julho 2009

Não Ação



"Pela não acão, o sábio governa tudo"
Lao-Tsé


"Não ação é atividade incessante. O sábio caracterizase
pela eterna
e intensa atividade. Sua tranquilidade é como a
aparente imobilidade
de um giroscópio, girando tão rapidamente, aparenta
estar parado."
Ramana Maharshi

Nós já somos o Eu Real...


"Se a pessoa se entregar completamente, não sobrará ninguém para fazer perguntas ou para ser levado em consideração. Ou os pensamentos são eliminados agarrando-se o pensamento raiz, o “eu”, ou a pessoa se entrega incondicionalmente ao Poder Maior. Esses dois são os únicos caminhos rumo à Realização."


Sri Ramana Maharshi ensinava que nós já somos o Eu Real, o ilimitado oceano de Ser-Consciência-Beatitude; que a iluminação está sempre presente em todos, agora mesmo, sendo que apenas a nossa ilusão de sermos uma alma individual (jiva), ou um ego, é que obscurece a consciência do nosso verdadeiro estado. Bhagavan apontava, assim, que todo o esforço espiritual é direcionado não para alcançar a Realização – pois esta já está perenemente presente – mas sim para afastar todos os obstáculos à percepção do nosso Ser.

Para Sri Ramana esses obstáculos não são reais ou substanciais, mas sim imaginários, produtos da mente. São meros conceitos, pensamentos. Explicava que todos esses pensamentos provêm de um pensamento raiz, do qual dependem, sendo que tal pensamento central é o ego, ou o que o Maharshi chamava de “pensamento-eu” (aham-vritti). Eliminando-se o ego (ahamkara), toda matriz da ilusão colapsa; o sofrimento e a limitação são banidos da vida irrevogavelmente. Dessa forma, a prática que ele aconselhava era a auto-inquirição, a prática de investigar a natureza e a origem desse pensamento-eu, o que é feito direcionando-se toda a nossa atenção para o sentimento interior “eu sou”, o sentimento não-dual de apenas ser. A ferramenta por ele criada foi a de utilizar a pergunta “quem sou eu?” ou “de onde eu venho?” para trazer a mente de volta à inquirição toda vez que ela se desviasse rumo aos pensamentos ou percepções sensoriais. Com isso, o ego, que sobrevive apenas na dualidade, fica impedido de se conectar com qualquer outro pensamento ou conceito – tais como “eu sou isso”, “eu sou aquilo”, “eu sou assim, e não daquele jeito”, “eu faço isso”, “eu sei aquilo”, etc. – o que o força a retornar para a sua origem, o Eu Real, que é pura Consciência não-dual. Como alternativa a este caminho, Bhagavan ensinava que a entrega completa a Deus, ao Guru, ou ao Eu Real, também tem o mesmo efeito de extinguir o ego. Todas as outras formas de prática espiritual (sadhana), dizia ele, são indiretas, servindo apenas para o amadurecimento do discípulo e purificação da mente, sendo que ao final o buscador deverá cruzar por uma dessas duas portas (auto-inquirição ou a entrega).

12 julho 2009

A VERDADE SOBRE O “MATA-MATO”

mais informação em: A verdade sobre o MATA_MATO continuação!



23/06/2009 - 10h06
“O glifosato estimula a morte das células de embriões humanos”
Por Darío Aranda, do jornal Página/12

Gilles-Eric Seralini, referência europeia no estudo de agrotóxicos, confirmou os efeitos letais do glifosato em células humanas de embriões, placenta e cordão umbilical. Alertou sobre as consequências sanitárias e ambientais, e exigiu a realização de estudos públicos sobre transgênicos e agrotóxicos. Quando publicou suas pesquisas, recebeu críticas e desaprovações. Leia a seguir.
Gilles-Eric Seralini é especialista em biologia molecular, professor da Universidade de Caen (França) e diretor do Comitê de Pesquisa e Informação sobre Engenharia Genética (Criigen). E se transformou em uma dor de cabeça para as empresas de agronegócio e para os resolutos defensores dos transgênicos. Em 2005, descobriu que algumas células da placenta humana são muito sensíveis ao herbicida Roundup (da empresa Monsanto), inclusive em doses muito inferiores às utilizadas na agricultura. Apesar de seu abundante currículo, foi duramente questionado pelas empresas do setor, desqualificado pelos meios de comunicação e acusado de “militante verde”, entendido como fundamentalismo ecológico.
Mas, em dezembro passado, voltou à tona. A revista científica Pesquisa Química em Toxicologia (Chemical Research in Toxicology) publicou seu novo estudo, em que constatou que o Roundup é letal para as células humanas. Segundo o trabalho, doses muito abaixo das utilizadas em campos de soja provocam a morte celular em poucas horas. “Mesmo em doses diluídas mil vezes, os herbicidas Roundup estimulam a morte das células de embriões humanos, o que poderia provocar mal-formações, abortos, problemas hormonais, genitais ou de reprodução, além de diversos tipos de cânceres”, afirmou Seralini em seu laboratório na França.
 
Suas pesquisas fazem parte da bibliografia à qual o Comitê Nacional de Ética na Ciência faz referência em sua recomendação para se criar uma comissão de especialistas que análise os riscos do uso do glifosato.
 
O pesquisador havia decidido estudar os efeitos do herbicida sobre a placenta humana depois que uma análise epidemiológica da Universidade de Carleton (Canadá), realizado na província de Ontário, havia vinculado a exposição ao glifosato (ingrediente base do Roundup) com o risco de abortos espontâneos e partos prematuros. Mediante provas de laboratório, em 2005, Seralini confirmou que em doses muito baixas o Roundup provoca efeitos tóxicos em células placentárias humanas e em células de embriões. O estudo, publicado na revista Environmental Health Perspectives, indicou que o herbicida mata uma grande proporção dessas células depois de apenas 18 horas de exposição a concentrações menores do que as utilizadas no uso agrícola.
 
Indicava ainda que esse fato poderia explicar os abortos e nascimentos prematuros experimentados por trabalhadoras rurais. Também ressaltava que, em soluções entre 10 mil e 100 mil vezes mais diluídas que as do produto comercial, ele já não matava as células, mas bloqueava sua produção de hormônios sexuais, o que poderia provocar dificuldades no desenvolvimento de ossos e no sistema reprodutivo de fetos. Alertava sobre a possibilidade de que o herbicida seja perturbador endócrino e, sobretudo, instava à realização de novos estudos. Só obteve a campanha de desprestígio.
 
Em 2007, publicou novos avanços. “Trabalhamos em células de recém-nascidos com doses do produto cem mil vezes inferiores às que qualquer jardineiro comum está em contato. O Roundup programa a morte das células em poucas horas”, havia declarado Seralini à agência de notícias AFP. Ressaltava que “os riscos são, sobretudo, para as mulheres grávidas, mas não só para elas”.
 
Em dezembro, a revista norte-americana Pesquisa Química em Toxicologia (da American Chemical Society) outorgou a Seralini 11 páginas para difundir seu trabalho, já finalizado. Focalizou-se em células humanas de cordão umbilical, embrionárias e da placenta. A totalidade das células morreram dentro das 24 horas de exposição às variedades do Roundup. “Estudou-se o mecanismo de ação celular diante de quatro formulações diferentes do Roundup (Express, Bioforce ou Extra, Gran Travaux e Gran Travaux Plus). Os resultados mostram que os quatro herbicidas Roundup e o glifosato puro causam morte celular. Confirmado pela morfologia das células depois do tratamento, determina-se que, inclusive nas concentrações mais baixas, ele causa uma grande morte celular”, denuncia na publicação, que indica que, mesmo com doses até dez mil vezes inferiores às usadas na agricultura, o Roundup provoca danos em membranas celulares e morte celular. Também confirmou o efeito destrutivo do glifosato puro, que, em doses 500 vezes menores às usadas nos campos, induz à morte celular.

Gilles-Eric Seralini tem 49 anos, nasceu na Argélia, vive em Caen, pesquisa a toxicidade de variedades transgênicas e herbicidas, é consultor da União Europeia em transgênicos e é diretor do Conselho Científico do Comitê de Pesquisa e Informação sobre Engenharia Genética (Criigen). “Publiquei três artigos em revistas científicas norte-americanas de âmbito internacional, junto com investigadores que faziam seu doutorado em meu laboratório, sobre a toxicidade dos herbicidas da família do Roundup sobre células humanas de embriões, assim como da placenta e sobre células frescas de cordões umbilicais, as quais levaram aos mesmos resultados, mesmo que tenham sido diluídas até cem mil vezes. Confirmamos que os herbicidas Roundup estimulam o suicídio das células humanas.. Sou especialista nos efeitos dos transgênicos, e sabemos que o câncer, as doenças hormonais, nervosas e reprodutivas têm relação com os agentes químicos dos transgênicos. Além disso, esses herbicidas perturbam a produção de hormônios sexuais, pelo qual são perturbadores endócrinos”, afirma Seralini.
 
“O glifosato é menos tóxico para os ratos do que o sal de mesa ingerido em grande quantidade”, indicava uma propaganda da Monsanto há uma década, citada na extensa pesquisa jornalística “O mundo segundo a Monsanto”, de Marie-Monique Robin. No capítulo quatro, chamado “Uma vasta operação de intoxicação”, Seralini é contundente: “O Roundup é um assassino de embriões”. Fato confirmado com a finalização de seus ensaios, em dezembro de 2008.
 
A contundência e difusão do trabalho provocaram que a companhia de agrotóxicos mais poderosa do mundo quebrasse seu silêncio - apesar de que a sua política empresarial é não responder estudos ou artigos que não lhe sejam favoráveis. Mediante um comunicado e diante da agência de notícias AFP, a Monsanto França voltou a deslegitimar o cientista. “Os trabalhos efetuados regularmente por Seralini sobre o Roundup constituem um desvio sistemático do uso normal do produto com o fim de denegri-lo, apesar de ter se demonstrado sua segurança sanitária há 35 anos no mundo”.
 
A antiguidade do produto no mercado é o mesmo argumento utilizado na Argentina pelos defensores do modelo de agronegócio. As organizações ambientalistas reforçam que essa defesa tem seu próprio beco sem saída. O PCB (produto químico usado em transformadores elétricos e produzido, dentre outros, pela Monsanto) também foi utilizado durante décadas. Recebeu centenas de denúncias e foi vinculado com quadros médicos graves, mas as empresas continuavam defendendo seu uso baseado na antiguidade do produto. Até que a pressão social obrigou os Estados a realizarem estudos e, com os resultados obtidos, proibiu-se seu uso. “Com o glifosato, acontecerá o mesmo”, respondem as organizações.
 
Depois de uma pesquisa na Argentina do doutor Andrés Carrasco, na que se confirmou o efeito devastador em embriões anfíbios, as empresas do setor reagiram com intimidações, ameaças e pressões. Isso lhe soa familiar?
Sim, e muito. Com minhas pesquisas, as empresas também reagiram muito mal. Em vez de criticar os pesquisadores, uma grande empresa responsável que não tem nenhuma capacitação em toxicologia teria que se colocar em dúvida e pesquisar. Em dezembro de 2008, quando o nosso último artigo foi publicado, o Departamento de Comunicação da Monsanto disse que estávamos desviando o herbicida de sua função, já que ele não foi feito para atuar sobre células humanas. Esse argumento é estúpido, não merece outro qualificativo. É muito surpreendente que uma multinacional tão importante admitisse, com esse argumento, que não realiza ensaios de seu herbicida com doses baixas sobre células humanas antes de colocá-lo no mercado. Dever-se-ia proibir o produto apenas por esse reconhecimento corporativo.

Qual foi o papel dos meios de comunicação em suas descobertas?

Jornais e televisões falaram sobre os nossos estudos, se dão conta de que o mundo está se deteriorando por causa desses contaminantes, e que muitas doenças desencadeadas por esses produtos químicos já são vistas também nos animais e reduzem dramaticamente a biodiversidade. Mas também é preciso ter presente que o lobby das empresas é muito forte, que fazem chegar informações contraditóriasaos meios de comunicação, que finalmente desinformam a opinião pública e influenciam os governos.
Em 1974, a Monsanto havia sido autorizada a comercializar o herbicida Roundup, “que passaria a se converter no herbicida mais vendido do mundo”, ufana-se a publicidade da empresa. Em 1981, a companhia se estabeleceu como líder da pesquisa biotecnológica, mas recém em 1995 foi aprovada uma dezena de seus produtos modificados geneticamente, entre eles a Soja RR (Roundup Ready)”, resistente ao glifosato.

Monsanto promovia o Roundup como “um herbicida seguro e de uso geral em qualquer lugar, desde gramados e hortas, até grandes bosques de coníferas”. Também defendia que o herbicida era biodegradável. Mas, em janeiro de 2007, ela foi condenada pelo tribunal francês de Lyon a pagar multas pelo crime de “propaganda enganosa”. Os estudos de Seralini foram utilizados como prova, junto a outras pesquisas. A Justiça da França teve como eixo a falsa propriedade biodegradável do agrotóxico e até deu um passo mais: afirmou que o Roundup “pode permanecer de forma duradoura no solo e inclusive se estender para as águas subterrâneas”.
 
Diante da campanha de desprestígio, Seralini recebeu o apoio da Procuradoria Geral de Nova Iorque (que havia ganhado outro juízo contra a Monsanto, também por propaganda enganosa). A revista científica Environmental Health Perspectives publicou um editorial para destacar suas descobertas, e a revista Chemical Research in Toxicology se propôs publicar o esquema completo do modo de ação toxicológico.
 
“A Monsanto sempre entregou estudos ridículos sobre o glifosato apenas, enquanto que o Roundup é uma mistura muito mais tóxica do que só o glifosato. O mundo científico sabe disso, mas muitos preferem não ver ou não atacar as descobertas. No entanto, a empresa defendia que era inócuo. Confirmamos que os resíduos do Roundup representam os principais contaminadores das águas dos rios ou de superfície. Por outro lado, recebemos o apoio de partes dos pesquisadores que encontraram efeitos semelhantes, explicando assim abortos naturais e desastres nas faunas autóctones”, explica Seralini.
 
Com um mercado concentrado e um faturamento estratosférico, a indústria transgênica é denunciada por seu poder de incidência com aqueles que devem controlá-la. Até a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA (o âmbito de controle competente) é acusada de ter cedido a suas pressões. Em agosto de 2006, líderes sindicais da EPA acusaram as autoridades do organismo de ceder diante da pressão política e permitir o uso de químicos prejudiciais.

“Correm-se graves riscos em fetos, grávidas, crianças e idosos”, denunciavam. A EPA havia omitido os estudos científicos que contradiziam aqueles patrocinados pela indústria dos pesticidas. “A direção da EPA prioriza antes a indústria da agricultura e os pesticidas do que a nossa responsabilidade em proteger a saúde dos nossos cidadãos”, finalizava o comunicado.
 
Seralini reafirma o poder econômico das agroquímicas e lembra que as oito maiores companhias farmacêuticas são as oito maiores companhias de pesticidas e de transgênicos, dentre as quais a Monsanto tem um papel protagônico. Por isso, pede a realização urgente de testes com animais de laboratório durante dois anos, como - segundo explica - ocorre com os medicamentos na Europa.
“Há um ingrediente político e econômico no tema, claramente, do qual as companhias estão por trás”, denuncia. Ele se reconhece um obsessivo do trabalho, adverte que há uma década analisa diariamente todos os informes europeus e norte-americanos de controles sanitários de transgênicos. E não tem dúvida: “Os únicos que fazem testes são as próprias companhias, porque são ensaios caríssimos. As empresas e os governos não deixam que esses trabalhos sejam vistos. Esses estudos deveriam ser realizados por universidades públicas e deveriam ser públicos”.
 
“Há 25 anos trabalho com as perturbações dos genes, das células e dos animais provocadas por medicamentos e contaminantes. Advertimos o perigo existente e propomos estudos públicos. Mas, em vez de aprofundar estudos e nos reconhecer como cientistas, querem tirar importância acadêmica chamando-nos ‘militantes ambientalistas’. Sabemos claramente que o ataque provém de empresas que, se os estudos forem feitos, deverão retirar seus produtos do mercado”, denuncia Seralini, que, hoje, adverte sobre o efeito sanitário não apenas dos agrotóxicos, mas sim dos alimentos transgênicos e de seus derivados.
 
Ele recorda que, com o milho transgênico (também tratado com Roundup) alimentam-se os animais que depois a população come (frangos, vacas, coelhos e porcos) e explica que todos os produtos que contêm açúcar de milho (molhos, balas, chocolates e refrigerantes, dentre outros) devem ser objeto de urgentes estudos.
“Há anos trabalhamos sobre a toxicidade dos principais contaminadores. Confirmamos que o Roundup é também o principal contaminante dos transgênicos alimentares, como a soja ou o milho transgênico, o que pode levar a um problema de intoxicação dos alimentos a longo prazo”.
A afirmação de Seralini vai em sintonia com as denúncias de centenas de organizações sociais, urbanas e rurais e de movimentos internacionais como a Via Campesina (grupo internacional de agricultores, índios, sem terra e trabalhadores agrícolas), que exigem alimentos sadios.
* A reportagem é de Darío Aranda, publicada no jornal Página/12, 21-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Leia a seguir.

(Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21986
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29 junho 2009

J. Krisnamurti :: Psique-Mente-Coração ::

(…) Para se ver qualquer coisa plenamente, integralmente, necessita-se liberdade, e a liberdade não vem por meio de compulsão, de um processo de disciplina, de repressões, mas só quando a mente se compreende a si mesma, o que é autoconhecimento. Essa forma superior de inteligência, que é o pensar negativo, só aparece quando o processo de pensamento cessou; e, nessa vigilante tranqüilidade, percebe-se o todo do problema. E só então há a “ação integrada”, plena, correta, completa. (A Arte da Libertação, pág. 47-48)

Essa liberdade interior da Realidade não é uma dádiva; cumpre-nos descobri-la e conhecê-la. (…) Ela é um estado equivalente ao silêncio, à tranqüilidade, onde não há vir a ser, onde existe a plenitude. (…) Essa liberdade não é um dom, nem produto do talento; encontra-se esse tesouro imperecível, quando o pensamento está livre da luxúria, da malevolência e da ignorância; quando está livre da mundanidade e do desejo pessoal de ser algo. Essa liberdade pode ser conhecida com o justo pensar e a meditação justa. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 35)

A liberdade requer a total cessação de toda autoridade interna. Desse estado mental resulta uma liberdade externa toda diferente da reação de oposição ou de resistência. (…) A mente, o cérebro está condicionado por causa da autoridade, da limitação, da obediência: eis o fato. O homem realmente livre não reconhece nenhuma autoridade interior; esse homem sabe o que é amar e meditar. (A Questão do Impossível, pág. 23)

Por certo, investigar se a mente pode ser livre é como fazer sozinho uma jornada pelo desconhecido. Porque, obviamente, a Verdade, a Realidade, Deus, ou o nome que quiserdes, é o Desconhecido; (…) Deveis chegar-vos a ele completamente sós, deveis empreender a viagem sem companheiro, sem Sankara, sem Buda ou Cristo. Só então descobrireis o que é verdadeiro. (…) (O Homem Livre, pág. 83)

Tudo isto (…) constituiu um desenrolar, um desdobrar do processo de pensar, do processo de consciência. E agora, se chegastes a este ponto, (…) - podeis começar a investigar a questão do espaço e do vazio. Há necessidade de espaço, pois, do contrário, não pode haver liberdade. Na mente limitada não há espaço nenhum. A mente respeitável, “burguesa”, educada com muito esmero e, portanto, cheia de problemas, ansiedades, temores, desesperos - não contém espaço nenhum. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 139)

Que é espaço? O espaço é criado pelo objeto. (…) Aqui está este microfone - o objeto. Por causa do objeto existe espaço ao redor dele; e o objeto existe por causa desse espaço. (…) Dentro de nós há espaço porque existe um centro. Esse centro é o observador, o censor, o sujeito que busca, a entidade que diz “Eu fui”, “Eu sou”, “Eu serei”. Esse centro cria espaço em redor de si; do contrário, ele não poderia existir. (Viagem por um Mar desconhecido, pág. 139-140)

Ora, pode haver espaço sem aquele centro? só se pode responder a esta pergunta sem “verbalização”, sem argumentação, sem se apresentar tal ou tal opinião. Só há possibilidade de resposta sem o centro. E, se o centro existe e está a criar espaço, não há nesse espaço liberdade nenhuma; a pessoa está para sempre escravizada. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 140)

E, agora, cumpre compreender também o que é silêncio. Como sabeis, nunca estamos em silêncio; vivemos num perene dialogar com nós mesmos ou com outrem. O maquinismo do pensamento está incessantemente ativo, a “projetar-se” (…) - a tagarelar e tagarelar, infinitamente; ou ajustar-se, a aceitar comparar julgar, condenar, imitar, obedecer. Sabendo-se disso, criaram-se várias formas de meditação. (…) E só a mente silenciosa é capaz de perceber, de ver realmente; não a mente que está a tagarelar, a mente que está sendo controlada, torturada, reprimida, (…) Só a mente muito silenciosa é capaz de ver realmente. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 116)

(…) Há o silêncio da mente, nunca perturbado por barulho algum, por nenhum pensamento, ou pela lufada passageira da experiência. Esse silêncio é que é “inocente” e, por conseguinte, Infinito. Quando na mente existe esse silêncio, dele brota a ação, ação jamais causadora de confusão e sofrimento. (A Outra Margem do Caminho, pág. 30)

Surge então a pergunta: pode o pensamento estar completamente silencioso e funcionar só quando é necessário - no conhecimento tecnológico, no escritório, quando se fala, etc - e o resto do tempo estar absolutamente quieto? Quanto mais espaço existe mais silêncio, tanto mais lógica, sã e judiciosamente pode ele funcionar no campo do conhecimento. (…) (El Despertar de la Inteligência, II, pág. 171)

Silêncio, não só do pensamento, mas também do cérebro. (…) O cérebro, isto é, os nervos, as células, tudo está em silêncio, porém extraordinariamente vigilante, atento. Por causa desse silêncio, há espaços; e, porque há espaço, há amor. (A Suprema Realização, pág. 76)

Vereis, então, que o amor altera imediatamente todas as ações da vida. É ele o único “catalisador”, só ele e nada mais promoverá a mutação total da mente. Nós necessitamos dessa mutação, (Idem, pág. 76)

Leia na Integra o texto acima!

Fonte: ICK

08 junho 2009

O vazio


Na Matemática do Yi Jing (I Ching) , o hexagrama Zero é a condição anterior a criação do Céu e da Terra, e, se o Sábio se coloca na condição anterior ao Céu e a Terra, como podem então, o Céu e a Terra contrariá-lo?


18 maio 2009

A Chave do Céu



Como se abre a porta do céu? É preciso uma chave, essa chave é a “ação feminina”





Jornal Tao do Taoísmo - n. 15 índice



A porta do Céu é uma abertura para o universo maior. É o canal que leva a pessoa para uma consciência maior e ilimitada.


Na simbologia do I Ching, existe a trilogia do céu, da terra e do homem. O céu é a antítese da terra. A terra é finita e o céu é infinito. Pode-se medir o tamanho da terra mas é impossível se medir o tamanho do espaço. O portão do Céu se encontra dentro do homem e é uma abertura onde a consciência do homem pode se encontrar com a dimensão da infinitude.


Como se abre a porta do céu? É preciso uma chave, essa chave é a “ação feminina”. A ação feminina não é uma ação brusca mas sim uma ação suave. No I Ching, a linha Yang é a linha da força e a linha Yin é a linha da suavidade. Ação feminina é uma ação de suavidade. Não se pode abrir a porta do céu de forma brusca ou dura. Essa chave é a chave da não-chave. Para se abrir a porta do universo não se usa nem força nem conhecimento, mas sim o coração, através da ação feminina.


No imaginário ocidental, a ação feminina está próxima ao conceito da intuição. Na verdade, é algo mais amplo do que apenas a intuição.


Na prática mística entra-se nesse canal para se atingir o estado da infinitude da consciência e da vida. Não se abre essa porta através de pensamentos nem de força, mas sim de algo mais sutil. Então, é preciso ir sutilizando a consciência para fazer essa passagem. É uma passagem para o outro lado que é o infinito, sendo esse infinito de um tamanho infinitamente reduzido. Quanto mais sutil a pessoa se tornar, mais sutil também se torna a porta, apenas que sempre mais sutil do que a pessoa, então é preciso se sutilizar ainda mais… Através da ação feminina, a pessoa vai se sutilizando cada vez mais até se igualar com a sutileza da porta do céu. Então se atravessa o vazio até o absoluto. A pessoa se torna o próprio vazio do absoluto. Nessa hora, faz-se a passagem para o outro lado. É uma viagem infinita que se vai entrando… entrando… entrando… entrando…


Na prática inicial da meditação sente-se essa sensação. É uma sensação de estar entrando dentro de um tubo e não ter mais o corpo físico, nem memória, nem pensamentos: apenas uma consciência sempre mais e mais sutil. Isso é abrir a porta do céu através da ação feminina. Esse conceito é importantíssimo em relação a nossa prática mística, pois permite alcançar um nível de consciência cada vez mais sutil até alcançar uma consciência ilimitada. Quando, por meio da meditação, se alcança esse nível de consciência, atinge-se o Vazio, alcança-se a Não-existência, a Abrangência.

A existência representa a manifestação, a criatividade. Ela é – num exemplo – como uma representação teatral, que tem o seu começo, seu durante e seu fim. Porém o espaço, o Vazio de que dispõe o teatro para que possa haver cenário, palco, espetáculo, trama, atores: isso é a não-existência. Essa não-existência é o Vazio que permite a forma existir. É o silêncio do teatro que permite a voz e o som dos atores serem ouvidos.

Igualmente, em nossa vida, se tivermos um espaço em nosso coração, podemos abrigar as expressões da vida. Se existir um silêncio em nossa mente, podemos ouvir e expressar a sabedoria da vida. Por isso, no Taoísmo enfatizamos como prioridade o trabalho da meditação.

O que é o trabalho da meditação? É o trabalho do silêncio, o trabalho do Vazio. Fechamos os olhos, trazemos a consciência para o interior, tentamos reduzir os pensamentos e diálogos interiores para podermos ter o silêncio dentro de nós. Quanto maior o nosso silêncio, maior percepção desenvolvemos. Quando estamos no silêncio, podemos observar e perceber muito mais sons e vozes. Analogicamente, isso significa que quanto mais quietude interior temos, maior capacidade teremos para observar, pensar e discernir as coisas.


O silêncio interior é essencial.


Quando temos muito barulho interior, temos menos capacidade de discernir o que deve ser feito, o que é correto, o que é oportuno, o que é inoportuno. E devido ao tumulto interior acabamos tomando decisões erradas e entramos em atividades no momento inadequado. Por isso o silêncio é prioritário.

É a não-existência que permite a existência.


O resgate deste vazio é a base do caminho espiritual. Sua importância pode ser sintetizada através da história que narra o encontro de um mestre com um discípulo que, na busca da confirmação do seu caminho espiritual, procura derrubar o mestre em um debate altamente metafísico, repleto de conceitos e teorias. Ao perceber o problema, o mestre oferece chá para o discípulo. Ao servi-lo, o mestre enche completamente a xícara e deixa o chá transbordar continuamente. Ao avisar o mestre que o chá está transbordando, recebe o seguinte ensinamento: “Pois é meu caro rapaz, quando a xícara está cheia, não cabe mais nada dentro dela. Por isso, o vazio interior é fundamental.” Em geral, nós estamos tão cheios, com tudo tão espremido e comprimido dentro de nós, que nos tornamos rígidos e sem espaço para a entrada de uma nova idéia, conceito ou energia.
Por isso os mestres taoístas dizem:


“Caminho é Vazio.Virtude é Vida. Vida que corre no Vazio é a Virtude que existe no Caminho.”

11 maio 2009

Nutrindo Paz - continuação ...


A QUARTA NUTRIÇÃO: CONSCIÊNCIA

O quarto tipo de comida é a consciência. No Budismo nós falamos de consciência como tendo dois níveis. O nível mais baixo é chamado consciência armazenadora e o nível superior é chamado consciência mental. Quando nós pensamos, calculamos ou sonhamos, estamos trabalhando no nível da consciência mental. A consciência mental é como uma sala de estar. Debaixo está um porão muito grande, a consciência armazenadora. Tudo que você não gosta põe embaixo no porão. A consciência armazenadora guarda tudo na forma de sementes. É como a terra, se você molhar essas sementes, elas brotam.

Cinqüenta e um tipos de sementes, saudáveis e não saudáveis vivem na consciência armazenadora. Sementes saudáveis são sementes de amor, perdão, generosidade, felicidade e alegria. Sementes não saudáveis incluem ódio, discriminação e desejo. De acordo com a psicologia budista, quando estas sementes se manifestam são chamadas formações mentais. Por exemplo, nossa raiva é uma formação mental. Quando não estiver se manifestando, nós não nos sentimos bravos. Mas isto não significa que a semente de raiva não está em nós. Todos temos a semente de raiva que dorme em nosso porão, nossa consciência armazenadora. Nós podemos brincar e podemos nos divertir e não sentimos raiva, mas se alguém vem e rega a semente de raiva em nossa consciência armazenadora, ela começará a brotar e entrará em cima na nossa sala de estar. No princípio era só uma semente, mas uma vez que foi regada, surgirá e se tornará a formação mental de raiva, levando embora toda a nossa felicidade.

O Buda usou a seguinte imagem para ilustrar o quarto tipo de nutrição. Um criminoso estava preso. O rei deu a ordem para apunhalá-lo com cem facadas. O criminoso não morreu. O mesmo castigo foi repetido ao meio-dia, e pela noite. Ainda assim, ele não morreu. O castigo foi repetido no dia seguinte, e no próximo. Da mesma maneira, nós nos permitimos apunhalar a nós mesmos centenas de vezes por dia através de formações mentais negativas. Quando qualquer semente se manifesta em nossa consciência mental, nós a absorvemos e isto é chamado alimento de consciência, a quarta nutrição. Se nós permitirmos que a raiva entre em nossa consciência mental e fique durante uma hora inteira, durante toda aquela hora nós estaremos comendo raiva. Quanto mais nós comermos raiva, mais a semente da raiva cresce. Se a semente de bondade surge em sua consciência mental, e você puder manter ela lá durante uma hora inteira, então durante aquele tempo você estará consumindo uma hora inteira de bondade.

Nós podemos ajudar uns aos outros regando as sementes saudáveis em nossa consciência armazenadora. Nós podemos dizer aos que estão próximos a nós, "Querido, tenhamos cuidado para não regar as sementes não saudáveis em nós. Reguemos só as sementes saudáveis em nós e então poderemos dar alimento nutritivo para nossa consciência." Quando nós regamos sementes de perdão, aceitação e felicidade na pessoa que amamos, estamos lhe dando alimento muito saudável para a sua consciência, como se nós estivéssemos cozinhando uma refeição saudável deliciosa para ela. Mas se nós constantemente regamos a semente de ódio, desejo e raiva dentro nosso amado, nós estaremos o envenenando.

Nós poderíamos nos sentar com nossa família e escrever um acordo que todo mundo pudesse assinar junto, comprometendo a regar as sementes saudáveis uns nos outros. Se nós pudermos praticar deste modo então nossos filhos poderiam praticar também. Um acordo assim poderia ser a fundação de nossa felicidade. Se você se nutrir com as quatro nutrições, ao consumir uma dieta saudável de alimentos comestíveis, sensações, desejos, e formações mentais, então você e seus familiares se beneficiarão de modo concreto. Budismo passa a não ser apenas ensinamentos abstratos, mas algo que muda sua vida diária.

O Buda disse, "Nada pode sobreviver sem comida”. Esta é uma verdade muito simples e muito profunda. Amor e ódio ambos são coisas vivas. Se você não nutrir seu amor, ele morrerá. Se você cortou a fonte de nutrição para sua violência, sua violência morrerá. Se você quiser que seu amor dure, você tem que alimentá-lo diariamente. Amor não pode viver sem comida. Se você negligenciar seu amor, depois de um tempo ele morrerá e o ódio pode surgir. Você sabe nutrir seu amor?

Se nós não dermos comida ao ódio, ele também morrerá. Ódio e sofrimento crescem mais porque diariamente nós os nutrimos, lhes dando mais comida. Com que tipo de comida você tem nutrido seu desespero e seu ódio? Se você estiver deprimido, você pode não ter nenhuma força e nenhuma energia sobrando. Você pode sentir que quer morrer. Por que você se sente assim? Nossa depressão não vem do nada. Se nós pudermos reconhecer a comida que nutriu nossa depressão, podemos deixar de consumi-la. Dentro de algumas semanas nossa depressão morrerá de fome. Se você não sabe o que está regando sua depressão, continuará fazendo as mesmas coisas diariamente. O Buda disse que se nós soubermos como olhar profundamente em nosso sofrimento e reconhecer o que o alimenta já estamos no caminho de libertação.

A saída para o nosso sofrimento é consumo consciente, não só para nós mesmos, mas para o mundo inteiro. Se nós soubermos regar as sementes de sabedoria e compaixão em nós, estas sementes se tornarão fontes poderosas de energia que nos ajudarão a perdoar os que nos feriram. Isto trará alívio à nossa nação e ao nosso mundo.

(Traduzido do livro “Calming the fearful mind” – Thich Nhat Hanh –por Leonardo Dobbin)

Nutrindo Paz - continuação...


A TERCEIRA NUTRIÇÃO: NOSSO DESEJO MAIS PROFUNDO

O terceiro tipo de comida é a volição, nosso desejo mais profundo. Nós temos que perguntar para nós mesmos, o que é meu desejo mais profundo nesta vida? Nosso desejo pode nos levar na direção da felicidade ou na direção do sofrimento. Desejo é um tipo de comida que nos nutre e nos dá energia. Se você tem um desejo saudável, como o desejo de proteger a vida, proteger o ambiente, ou viver uma vida simples com tempo para ter cuidado com você e seu amado, seu desejo trará felicidade. Se correr atrás de poder, riqueza, sexo e fama, pensando que eles trarão felicidade, você estará consumindo um tipo muito perigoso de comida que te trará muito sofrimento. Você pode ver que isto é verdade dando uma olhada ao seu redor.

Por favor, gaste algum tempo para escrever seu desejo mais profundo. Você quer viver como uma pessoa livre sem preocupações? O desejo de ser uma pessoa livre vale muito a pena. Ser livre significa que você não será mais vítima do medo, raiva, desejo ou suposições. Você quer isto? Talvez você queira, mas não quer o bastante. Você tem outros desejos tais como querer uma casa maior ou um carro melhor ou comida mais gostosa. Esses poucos desejos o distraem de seu desejo mais nobre. Se o desejo de Siddhartha para liberdade não tivesse sido forte, ele não teria sido capaz de superar os desejos sensuais.

Se quiser perceber quais são seus desejos profundos, você tem que realmente querer. Talvez você deseje uma comunicação melhor com seu parceiro. Talvez você tenha dificuldade com seu parceiro e vocês não possam olhar mais um para o outro. Talvez você deseje uma relação mais íntima com seus filhos. Quando você e sua família estiverem contentes, então você terá a oportunidade de ajudar outras pessoas e seu país.

Texto na integra: Nutrindo Paz

30 abril 2009

De onde vem sua comida?


Nos dias de hoje ficamos assustados e surpresos quando surge uma epidemia como a gripe suína, a gripe aviária ou mesmo a doença da vaca louca. Mas você já parou para se perguntar porque essas doenças têm surgido recentemente? Uma possível explicação pode ser obtida na forma como os animais são tratados até que sejam abatidos para consumo.Uma ONG americana fez uma animação sensacional, parodiando o filme Matrix, e dando algumas respostas a essas perguntas. Mesmo que você não tenha assistido a Matrix vale a pena ver as duas partes dessa animação. Ela se chama Meatrix (Meat em inglês=carne) e tem legendas em português.


Para assistir a parte 1 clique aqui.

Para assistir a parte 2 clique aqui.


Analise o que você consome e como você contribui para o surgimento dessas doenças.
Retirado na integra do blog: Sangha Virtual

29 abril 2009

Nutrindo PAZ - continuação


A SEGUNDA NUTRIÇÃO: O ALIMENTO SENSORIAL

O segundo tipo de comida sobre o qual o Buda falou são as impressões sensoriais. Nós comemos com nossos seis órgãos do sentido: nossos olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, e mente. Um programa de televisão é comida; uma conversação é comida; música é comida; arte é comida; outdoors são comida. Quando dirigir pela cidade, você consome e é penetrado por estas coisas sem seu conhecimento ou consentimento. O que você vê, o que você toca, o que você ouve é comida.

Estes artigos de consumo podem ser altamente tóxicos. Há música boa e há artigos de revista bons e programas de televisão que nutrem compreensão e compaixão em nós. Nós os deveríamos desfrutar. Mas muitos tipos de música, programas de televisão e revistas contêm desejo, desespero, e violência. Os anúncios de televisão que você é forçado a assistir são a comida dos sentidos. O propósito deles é fazer você desejar os produtos que eles querem vender e despertar seu desejo. Nós consumimos estes venenos e permitimos que nossas crianças também os consumam, fazendo o medo e o ódio em nós crescer diariamente. Não é um problema de consumir menos ou mais, mas de consumo certo, consumo atento.

Para ilustrar a importância do consumo atento pelos sentidos, o Buda usou a imagem de uma vaca com doença de pele. Uma vaca estava tão doente que ela perdeu virtualmente toda sua pele e era vulnerável onde quer que fosse. Quando a vaca encostava-se em uma árvore, parede ou quando entrava na água, criaturas minúsculas vinham e chupavam o seu sangue. A vaca não tinha nenhum meio de proteção. Se nós não soubermos consumir conscientemente estaremos como uma vaca sem pele, as toxinas de violência, desespero e desejo penetrarão diretamente no âmago de nosso ser.

De acordo com a Associação Psicológica Americana, uma criança americana típica assistirá na sua vida 100.000 atos de violências e 8.000 assassinatos na televisão. Isso é muito. Quando os pais estão tão ocupados e não têm tempo para as crianças, a televisão se torna uma babá perigosa. Desde muito cedo, crianças já começam a consumir sons e imagens muito tóxicos. Elas se tornam as vítimas da violência e do medo.

Há as pessoas que discutem que embora eles tenham assistido filmes de cowboy quando eram jovens, não cresceram violentos. Mas os filmes de cowboy do passado não eram iguais aos filmes de hoje. Os filmes de uma geração atrás tinham um pouco de violência, mas muito menos que os filmes têm agora, e eles comunicavam algum senso de moralidade. Se alguém cometesse um ato de assassinato, iria para prisão. Pelo menos a pessoa que cometia violência não podia escapar. Os filmes agora freqüentemente mostram violência sem conseqüência ou responsabilidade. Em muitos jogos de videogame, as pessoas recebem tiros e são mortas e então vivem novamente como alvos novos. Quando as crianças jogam este tipo de jogo diariamente, fica fácil entender porque elas acabam trazendo uma arma para a escola e atirando nos outros. Este tipo de jogo é infinitamente perigoso. Quando as crianças são pequenas não podem distinguir entre o jogo e a realidade. Como as crianças consomem este tipo de comida dos sentidos diariamente pela televisão e videogame, constantemente estão alimentando a violência na sua consciência.

A América está ficando com cada vez mais raiva a cada dia. Cada vez mais, nós estamos consumindo o tipo de comida sensorial que traz violência e ódio para nossos corpos e mentes. A energia da violência está sendo nutrida nas pessoas em todos os lugares na vida diária. A violência nos subjuga e demanda uma saída.

Nós podemos escolher a comida sensorial que nos cura e nutre ou a que nos envenena. Há certos tipos de livros e artigos que nos fazem sentir muito feliz e nos iluminam depois que os lemos. Certas música ou conversas também; enquanto escutamos nos sentimos inspirados e felizes. Nós podemos escolher consumir artigos que trazem leveza, paz e felicidade em nosso corpo e mente.

Uma conversa simples com outra pessoa pode te levar ao desespero extremo ou pode lhe dar esperança e confiança. Às vezes, depois de escutar alguém falar, você se sente muito deprimido. Conversações podem conter toxinas, assim nós temos que falar e escutar em plena consciência. Para evitar a solidão, você pode ser empurrado a falar com qualquer um. Mas se alguém estiver falando de um modo muito negativo, este tipo de conversação pode o matar. Só escute e fale com pessoas que nutram amor e entendimento em você, a menos que esteja falando com alguém com o propósito exclusivo de ajudá-lo a transformar o seu sofrimento e violência.

O Buda disse que plena consciência é a capacidade de voltar ao que está acontecendo no momento presente. Nós podemos estar atentos ao que estamos consumindo. O modo que nós produzimos e consumimos nos está destruindo e também aos jovens e a nossa nação inteira. Todo mundo pode praticar plena consciência para mudar isto. Como pais, professores, diretores e jornalistas nós temos que observar para ver se estamos contribuindo com o propósito de crescimento da violência pelo modo como vivemos nossas vidas diárias. Todos têm que compartilhar seu insight, para que nosso despertar coletivo possa nos ajudar a parar este caminho de destruição.

Nosso Congresso e nossa nação inteira podem praticar olhar em profundamente a natureza do que consumimos diariamente. Nós elegemos os membros do Congresso e podemos lhes pedir que façam leis para proibir a produção tóxica. Nós podemos falar com nossas famílias e comunidades e podemos fazer um compromisso de consumo atento e inteligente de comidas e artigos culturais. Consumindo conscientemente é o único modo para proteger a nós mesmos e à nossa sociedade da violência que está nos subjugando. Quando consumirmos conscientemente, recebemos nutrição e cura em nossa vida diária que nos permite abraçar e transformar a nossa dor e violência. Então saberemos o que fazer para a Terra se tornar um lugar seguro para nós, nossos filhos e as outras crianças. Esta é a real prática de paz.
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Estudos Budistas
Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh

Nutrindo PAZ

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O Buda falou sobre o caminho de emancipação em termos de consumo. Em O Discurso na Carne do Filho o Buda ensinou que nós consumimos quatro tipos de nutrientes. Se diariamente nós estivermos atentos ao que nós estamos consumindo e entendermos sua natureza, poderemos transformar o sofrimento dentro de nós e ao nosso redor. Consumir com consciência é essencial para acabar com o terrorismo.

A PRIMEIRA NUTRIÇÃO: O ALIMENTO QUE COMEMOS

O primeiro tipo de nutrição sobre a qual o Buda falou é o alimento que nós comemos. Ele nos aconselhou que comêssemos conscientemente de forma que a compaixão pudesse ser mantida em nosso coração. Os alimentos que nós comemos podem trazer venenos ao nosso corpo que podem destruir nossa compaixão. Eles podem causar sofrimento ao nosso corpo, nossa mente e ao mundo. Então, nós temos que saber o que estamos comendo e se o alimento que comemos está nos destruindo e destruindo nosso planeta.

Produção de álcool requer grãos que poderiam ser usados para alimentar as pessoas famintas do mundo. Fazer um copo de vinho de arroz leva uma cesta inteira de arroz que poderia alimentar crianças famintas. Oitenta por cento do milho e noventa e cinco por cento da aveia nos Estados Unidos são usados para alimentar animais criados para os humanos comerem. O mingau de aveia que os humanos comem pela manhã é só cinco por cento da quantidade de aveia plantada nos Estados Unidos. Somente o gado existente no mundo consome uma quantidade de comida equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, mais que a população humana inteira na Terra.

Há muitas pessoas que estão morrendo de fome no mundo. A UNICEF diz que diariamente 40.000 crianças morrem de desnutrição. Enquanto isso, muitos de nós no ocidente comemos demais. Cinqüenta e cinco por cento dos americanos são obesos. Obesidade está rapidamente se tornando uma epidemia nacional. Quando nós comemos demais, destruímos nosso corpo, o corpo de nossos antepassados e de nossos descendentes. Um economista francês me falou uma vez que se países super-desenvolvidos no ocidente reduzissem seu consumo de carne e de álcool em cinqüenta por cento, poderíamos resolver o problema da fome no mundo.

A Faculdade de Emory informa o seguinte impacto ambiental devido à produção de carne norte-americana:

Terra: De toda terra agriculturável nos EUA, 87 por cento são usados para criar animais para abate. Isso é 45 por cento do total dos EUA.

Água: Mais da metade de toda a água consumida nos EUA para todos os propósitos é usada para criar animais para abate. São necessários 2.500 galões de água para produzir uma libra de carne. São necessários 25 galões de água para produzir uma libra de trigo. Isso é 25 contra 2.500 galões de água. Uma dieta totalmente vegetariana requer 300 galões de água por dia, enquanto uma dieta baseada em carne requer 4.000 galões de água por dia.
Poluição: Criação de animais para abate causa mais poluição de água nos EUA que qualquer outra indústria. Animais criados para abate produzem 130 vezes o excremento da população humana inteira, 87.000 libras por segundo. Muito do lixo das fazendas e de matadouros são jogados nos rios, contaminando fontes de água.

Desmatamento: Cada vegetariano economiza um acre de árvores todos os anos. Mais de 260 milhões de acres de florestas norte-americanas foram clareados para cultivar colheitas para alimentar animais criados para abate. Um acre de árvores desaparece cada oito segundos. As florestas tropicais estão sendo destruídas para criar pastos para gado. Podem ser derrubados cinqüenta e cinco pés quadrados de floresta tropical para produzir apenas um hambúrguer.

As florestas são nossos pulmões. Elas nos dão oxigênio e protegem nosso ambiente. Se nós comermos carne, estaremos destruindo as florestas e estaremos comendo a carne de nossa Mãe Terra. Todos nós, inclusive crianças, temos a capacidade de ver o sofrimento de animais criados para abate. Nós podemos escolher comer conscientemente e proteger a felicidade e vidas das espécies e da Mãe Terra.

O modo que nós comemos até mesmo provoca guerra. A quantidade de recursos que usamos para fazer carne é imensa. As pessoas nos EUA são só seis por cento da população do mundo inteiro, mas os recursos que eles consomem são sessenta por cento de todos os recursos usados em Terra. No ocidente vivemos luxuosamente, comendo muito mais que precisamos, enquanto outros estão morrendo de fome. Nós comemos de tal modo que destruímos a Terra. Esta é uma grande injustiça, uma ofensa contra a raça humana inteira, como também aos animais, plantas, minerais e a atmosfera. Esta desigualdade causa ódio e enfurece o mundo. Quando as pessoas se enfurecem e o ódio é reprimido, ele explode em violência.

Nós temos a chance para parar a matança de animais e achar outros modos não violentos para produzir nossa comida. A comida pode ficar deliciosa sem usar a carne de animais. Quando comemos conscientemente, mantemos a consciência de nossa interdependência com outros seres e esta consciência nos ajuda a manter a compaixão em nosso coração. Quando nós comemos com compaixão, a felicidade surge. Um modo de nutrir nossa compaixão é discutir com nossa família como comer e beber com mais consciência. Outro modo é, como sociedade, olhar conjuntamente a maneira como nós produzimos e consumimos comida.

Retirado do BLOG: http://sangavirtual.blogspot.com/

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