30 abril 2009

De onde vem sua comida?


Nos dias de hoje ficamos assustados e surpresos quando surge uma epidemia como a gripe suína, a gripe aviária ou mesmo a doença da vaca louca. Mas você já parou para se perguntar porque essas doenças têm surgido recentemente? Uma possível explicação pode ser obtida na forma como os animais são tratados até que sejam abatidos para consumo.Uma ONG americana fez uma animação sensacional, parodiando o filme Matrix, e dando algumas respostas a essas perguntas. Mesmo que você não tenha assistido a Matrix vale a pena ver as duas partes dessa animação. Ela se chama Meatrix (Meat em inglês=carne) e tem legendas em português.


Para assistir a parte 1 clique aqui.

Para assistir a parte 2 clique aqui.


Analise o que você consome e como você contribui para o surgimento dessas doenças.
Retirado na integra do blog: Sangha Virtual

29 abril 2009

Nutrindo PAZ - continuação


A SEGUNDA NUTRIÇÃO: O ALIMENTO SENSORIAL

O segundo tipo de comida sobre o qual o Buda falou são as impressões sensoriais. Nós comemos com nossos seis órgãos do sentido: nossos olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, e mente. Um programa de televisão é comida; uma conversação é comida; música é comida; arte é comida; outdoors são comida. Quando dirigir pela cidade, você consome e é penetrado por estas coisas sem seu conhecimento ou consentimento. O que você vê, o que você toca, o que você ouve é comida.

Estes artigos de consumo podem ser altamente tóxicos. Há música boa e há artigos de revista bons e programas de televisão que nutrem compreensão e compaixão em nós. Nós os deveríamos desfrutar. Mas muitos tipos de música, programas de televisão e revistas contêm desejo, desespero, e violência. Os anúncios de televisão que você é forçado a assistir são a comida dos sentidos. O propósito deles é fazer você desejar os produtos que eles querem vender e despertar seu desejo. Nós consumimos estes venenos e permitimos que nossas crianças também os consumam, fazendo o medo e o ódio em nós crescer diariamente. Não é um problema de consumir menos ou mais, mas de consumo certo, consumo atento.

Para ilustrar a importância do consumo atento pelos sentidos, o Buda usou a imagem de uma vaca com doença de pele. Uma vaca estava tão doente que ela perdeu virtualmente toda sua pele e era vulnerável onde quer que fosse. Quando a vaca encostava-se em uma árvore, parede ou quando entrava na água, criaturas minúsculas vinham e chupavam o seu sangue. A vaca não tinha nenhum meio de proteção. Se nós não soubermos consumir conscientemente estaremos como uma vaca sem pele, as toxinas de violência, desespero e desejo penetrarão diretamente no âmago de nosso ser.

De acordo com a Associação Psicológica Americana, uma criança americana típica assistirá na sua vida 100.000 atos de violências e 8.000 assassinatos na televisão. Isso é muito. Quando os pais estão tão ocupados e não têm tempo para as crianças, a televisão se torna uma babá perigosa. Desde muito cedo, crianças já começam a consumir sons e imagens muito tóxicos. Elas se tornam as vítimas da violência e do medo.

Há as pessoas que discutem que embora eles tenham assistido filmes de cowboy quando eram jovens, não cresceram violentos. Mas os filmes de cowboy do passado não eram iguais aos filmes de hoje. Os filmes de uma geração atrás tinham um pouco de violência, mas muito menos que os filmes têm agora, e eles comunicavam algum senso de moralidade. Se alguém cometesse um ato de assassinato, iria para prisão. Pelo menos a pessoa que cometia violência não podia escapar. Os filmes agora freqüentemente mostram violência sem conseqüência ou responsabilidade. Em muitos jogos de videogame, as pessoas recebem tiros e são mortas e então vivem novamente como alvos novos. Quando as crianças jogam este tipo de jogo diariamente, fica fácil entender porque elas acabam trazendo uma arma para a escola e atirando nos outros. Este tipo de jogo é infinitamente perigoso. Quando as crianças são pequenas não podem distinguir entre o jogo e a realidade. Como as crianças consomem este tipo de comida dos sentidos diariamente pela televisão e videogame, constantemente estão alimentando a violência na sua consciência.

A América está ficando com cada vez mais raiva a cada dia. Cada vez mais, nós estamos consumindo o tipo de comida sensorial que traz violência e ódio para nossos corpos e mentes. A energia da violência está sendo nutrida nas pessoas em todos os lugares na vida diária. A violência nos subjuga e demanda uma saída.

Nós podemos escolher a comida sensorial que nos cura e nutre ou a que nos envenena. Há certos tipos de livros e artigos que nos fazem sentir muito feliz e nos iluminam depois que os lemos. Certas música ou conversas também; enquanto escutamos nos sentimos inspirados e felizes. Nós podemos escolher consumir artigos que trazem leveza, paz e felicidade em nosso corpo e mente.

Uma conversa simples com outra pessoa pode te levar ao desespero extremo ou pode lhe dar esperança e confiança. Às vezes, depois de escutar alguém falar, você se sente muito deprimido. Conversações podem conter toxinas, assim nós temos que falar e escutar em plena consciência. Para evitar a solidão, você pode ser empurrado a falar com qualquer um. Mas se alguém estiver falando de um modo muito negativo, este tipo de conversação pode o matar. Só escute e fale com pessoas que nutram amor e entendimento em você, a menos que esteja falando com alguém com o propósito exclusivo de ajudá-lo a transformar o seu sofrimento e violência.

O Buda disse que plena consciência é a capacidade de voltar ao que está acontecendo no momento presente. Nós podemos estar atentos ao que estamos consumindo. O modo que nós produzimos e consumimos nos está destruindo e também aos jovens e a nossa nação inteira. Todo mundo pode praticar plena consciência para mudar isto. Como pais, professores, diretores e jornalistas nós temos que observar para ver se estamos contribuindo com o propósito de crescimento da violência pelo modo como vivemos nossas vidas diárias. Todos têm que compartilhar seu insight, para que nosso despertar coletivo possa nos ajudar a parar este caminho de destruição.

Nosso Congresso e nossa nação inteira podem praticar olhar em profundamente a natureza do que consumimos diariamente. Nós elegemos os membros do Congresso e podemos lhes pedir que façam leis para proibir a produção tóxica. Nós podemos falar com nossas famílias e comunidades e podemos fazer um compromisso de consumo atento e inteligente de comidas e artigos culturais. Consumindo conscientemente é o único modo para proteger a nós mesmos e à nossa sociedade da violência que está nos subjugando. Quando consumirmos conscientemente, recebemos nutrição e cura em nossa vida diária que nos permite abraçar e transformar a nossa dor e violência. Então saberemos o que fazer para a Terra se tornar um lugar seguro para nós, nossos filhos e as outras crianças. Esta é a real prática de paz.
Sangha Virtual
Estudos Budistas
Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh

Nutrindo PAZ

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Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh


O Buda falou sobre o caminho de emancipação em termos de consumo. Em O Discurso na Carne do Filho o Buda ensinou que nós consumimos quatro tipos de nutrientes. Se diariamente nós estivermos atentos ao que nós estamos consumindo e entendermos sua natureza, poderemos transformar o sofrimento dentro de nós e ao nosso redor. Consumir com consciência é essencial para acabar com o terrorismo.

A PRIMEIRA NUTRIÇÃO: O ALIMENTO QUE COMEMOS

O primeiro tipo de nutrição sobre a qual o Buda falou é o alimento que nós comemos. Ele nos aconselhou que comêssemos conscientemente de forma que a compaixão pudesse ser mantida em nosso coração. Os alimentos que nós comemos podem trazer venenos ao nosso corpo que podem destruir nossa compaixão. Eles podem causar sofrimento ao nosso corpo, nossa mente e ao mundo. Então, nós temos que saber o que estamos comendo e se o alimento que comemos está nos destruindo e destruindo nosso planeta.

Produção de álcool requer grãos que poderiam ser usados para alimentar as pessoas famintas do mundo. Fazer um copo de vinho de arroz leva uma cesta inteira de arroz que poderia alimentar crianças famintas. Oitenta por cento do milho e noventa e cinco por cento da aveia nos Estados Unidos são usados para alimentar animais criados para os humanos comerem. O mingau de aveia que os humanos comem pela manhã é só cinco por cento da quantidade de aveia plantada nos Estados Unidos. Somente o gado existente no mundo consome uma quantidade de comida equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, mais que a população humana inteira na Terra.

Há muitas pessoas que estão morrendo de fome no mundo. A UNICEF diz que diariamente 40.000 crianças morrem de desnutrição. Enquanto isso, muitos de nós no ocidente comemos demais. Cinqüenta e cinco por cento dos americanos são obesos. Obesidade está rapidamente se tornando uma epidemia nacional. Quando nós comemos demais, destruímos nosso corpo, o corpo de nossos antepassados e de nossos descendentes. Um economista francês me falou uma vez que se países super-desenvolvidos no ocidente reduzissem seu consumo de carne e de álcool em cinqüenta por cento, poderíamos resolver o problema da fome no mundo.

A Faculdade de Emory informa o seguinte impacto ambiental devido à produção de carne norte-americana:

Terra: De toda terra agriculturável nos EUA, 87 por cento são usados para criar animais para abate. Isso é 45 por cento do total dos EUA.

Água: Mais da metade de toda a água consumida nos EUA para todos os propósitos é usada para criar animais para abate. São necessários 2.500 galões de água para produzir uma libra de carne. São necessários 25 galões de água para produzir uma libra de trigo. Isso é 25 contra 2.500 galões de água. Uma dieta totalmente vegetariana requer 300 galões de água por dia, enquanto uma dieta baseada em carne requer 4.000 galões de água por dia.
Poluição: Criação de animais para abate causa mais poluição de água nos EUA que qualquer outra indústria. Animais criados para abate produzem 130 vezes o excremento da população humana inteira, 87.000 libras por segundo. Muito do lixo das fazendas e de matadouros são jogados nos rios, contaminando fontes de água.

Desmatamento: Cada vegetariano economiza um acre de árvores todos os anos. Mais de 260 milhões de acres de florestas norte-americanas foram clareados para cultivar colheitas para alimentar animais criados para abate. Um acre de árvores desaparece cada oito segundos. As florestas tropicais estão sendo destruídas para criar pastos para gado. Podem ser derrubados cinqüenta e cinco pés quadrados de floresta tropical para produzir apenas um hambúrguer.

As florestas são nossos pulmões. Elas nos dão oxigênio e protegem nosso ambiente. Se nós comermos carne, estaremos destruindo as florestas e estaremos comendo a carne de nossa Mãe Terra. Todos nós, inclusive crianças, temos a capacidade de ver o sofrimento de animais criados para abate. Nós podemos escolher comer conscientemente e proteger a felicidade e vidas das espécies e da Mãe Terra.

O modo que nós comemos até mesmo provoca guerra. A quantidade de recursos que usamos para fazer carne é imensa. As pessoas nos EUA são só seis por cento da população do mundo inteiro, mas os recursos que eles consomem são sessenta por cento de todos os recursos usados em Terra. No ocidente vivemos luxuosamente, comendo muito mais que precisamos, enquanto outros estão morrendo de fome. Nós comemos de tal modo que destruímos a Terra. Esta é uma grande injustiça, uma ofensa contra a raça humana inteira, como também aos animais, plantas, minerais e a atmosfera. Esta desigualdade causa ódio e enfurece o mundo. Quando as pessoas se enfurecem e o ódio é reprimido, ele explode em violência.

Nós temos a chance para parar a matança de animais e achar outros modos não violentos para produzir nossa comida. A comida pode ficar deliciosa sem usar a carne de animais. Quando comemos conscientemente, mantemos a consciência de nossa interdependência com outros seres e esta consciência nos ajuda a manter a compaixão em nosso coração. Quando nós comemos com compaixão, a felicidade surge. Um modo de nutrir nossa compaixão é discutir com nossa família como comer e beber com mais consciência. Outro modo é, como sociedade, olhar conjuntamente a maneira como nós produzimos e consumimos comida.

Retirado do BLOG: http://sangavirtual.blogspot.com/

Para ver na integra acesse o blog!

24 abril 2009

Click na imagem para ampliar!

1 kg de carne bovina é igual a...

No Brasil, em média, um quilo de carne bovina é responsável por:


• 10 mil metros quadrados de floresta desmatada
• consumo de 15 mil litros de água doce limpa
• emissão de dióxido de carbono diretamente na atmosfera
• emissão de metano na atmosfera
• despejo de boro, fósforo, mercúrio, bromo, chumbo, arsênico, cloro entre outros elementos tóxicos provenientes de fertilizantes e defensivos agrícolas, que se infiltram no solo e atingem os lençóis freáticos
• descarte de efluentes como sangue, urina, gorduras, vísceras, fezes, ossos e outros, que acabam chegando aos rios e oceanos depois de contaminarem
solo e aqüíferos subterrâneos

• consumo de energia elétrica
• consumo de combustíveis fósseis
• despejo no meio ambiente de antibióticos, hormônios,
analgésicos, bactericidas, inseticidas, fungicidas, vacinas e outros fármacos, via urina, fezes, sangue e vísceras, que inevitavelmente atingem os lençóis freáticos
• liberação de óxido nitroso, cerca de 300 vezes mais prejudicial para a atmosfera do que o CO2

• pesados encargos para os cofres públicos com tratamentos de saúde decorrentes da contaminação gerada pela pecuária
• gastos do poder público com infra-estrutura e saneamento necessário para equilibrar os danos causados pela pecuária
• custo dos incentivos fiscais e subsídios concedidos
pelos governos estaduais e federal para a atividade
pecuária


Ainda tem mais...

Engole essa!


No mundo, a cada segundo, uma área de floresta tropical do tamanho de um campo de futebol é desmatada para dar lugar a uma produção de carne
equivalente a 257 hambúrgueres!

23 abril 2009

Seleta de Krishnamurti

Para mim, a verdade, essa integridade de que falo, acha-se em todas as coisas. Portanto, a idéia de que necessitais progredir em direção à realidade é uma idéia falsa. Não se pode progredir na direção de uma coisa que sempre está presente. Não se trata de avançar para o exterior ou de voltar-se para o interior, mas sim de se libertar dessa consciência que se percebe a si mesma como separada.

(Coletânea de Palestras, 1930-1935, pág. 18)

Retirado do site: ICK

15 abril 2009

Verdadeiramente vivos


Quase todos nós carregamos nosso cadáver quando estamos caminhando por aí. Não estamos verdadeiramente vivos, não estamos verdadeiramente despertos. É muito fácil se você quiser despertar e tornar-se uma pessoa viva. No cristianismo, há o conceito de ressurreição. No budismo, ressurreição é uma prática, não uma cerimônia. Quando ouvimos o som do sino nós podemos ressuscitar. Um único passo ou respiração pode nos ressuscitar.

Quando olhamos ao nosso redor, podemos ver aqueles dentre nós que estão vivos ou mortos. Podemos estar junto de alguém, mas essa pessoa não se dá conta de que estamos lá, porque ela está perdida em suas memórias, sua raiva, sua tristeza. Cada momento pode ser um momento de ressurreição, mas não estamos presentes para experienciá-lo.


Thich Nhat Hanhdo


livro Nothing to Do, Nowhere to Go - Waking Up to Who You Are (Parallax Press, 2007), tradução deste blog; o texto original foi publicado no blog irmão zentobe.


Retirei do Blog: Para ser Zen

Prece

"Senhor, concede-me a graça de aceitar com serenidade aquilo que não pode ser modificado, a coragem para mudar o que deve ser mudado e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra".
(Prece tradicional judaica)

09 abril 2009

A ILUSÃO DE SEPARATIVIDADE

Observe a maioria das pessoas, e verificareis que todas pensam que, por tornarem-se maiores, por ampliarem sua consciência, mediante uma série de experiências, pelo fato de retroceder, avançar e reencarnar, se estão aproximando cada vez mais da verdade.
Para mim, essa concepção é inteiramente ilusória, pois a realidade, em sua inteireza, em sua plenitude, em sua riqueza, existe em tudo e, portanto, é eterna. O que é permanente, eterno em tudo, não pode progredir. O que denominamos progresso somente pode ser aplicado a determinado fato, não à realidade.
Nossa principal preocupação deverá ser, então, a de por qual maneira cada um se poderá tornar apercebido desse eterno, dessa viva realidade que sustenta, nutre e eleva todas as coisas e que se acha em nós mesmos. Enquanto criardes um mundo exterior e um mundo interior e vos esforçardes por produzir um ajustamento entre ambos, jamais, encontrareis a realidade.
Quando o homem está consciente de si próprio como entidade separada, continuamente busca o exterior para encontrar auxilio, para sua subsistência, para seu bem-estar; e desse modo cria ele desordem em lugar de ordem, e por causa dessa desordem surgem as superstições, as ilusões, as cerimônias.

J. Krishnamurti

07 abril 2009

Teoria dos tipos psicológicos Junguianos

A teoria dos tipos psicológicos Junguianos e suas semelhanças com os tipos constitucionais Coreanos

1. TIPOS PSICOLÓGICOS – C.G. JUNG

Jung identificou quatro funções psicológicas fundamentais:
- Pensamento.
- Sentimento.
- Sensação.
- Intuição

Estas funções podem ser experimentadas de maneira INTROVERTIDA ou EXTROVERTIDA.

1.1 INTROVERSÃO E EXTROVERSÃO

- PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA INTROVERSÃO:

O movimento da energia consciente é em direção ao mundo interior.
A realidade interior é de vital importância. “Costuma ser caracterizada por uma natureza vacilante, meditativa, reservada, isolada dos outros, recua diante dos objetos e está sempre na defensiva”.
Há o “medo do objeto”.
A força motivadora (julgamentos, percepções, sentimentos, afeto e ações) vem de fatores internos ou subjetivos.
As pessoas introvertidas são conservadoras, preferem o lar e amigos íntimos. Considera o extrovertido um fanfarrão superficial.

- PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA EXTROVERSÃO

O movimento da energia consciente é em direção ao mundo exterior.
O objeto (as coisas, as outras pessoas), a realidade exterior é de vital importância. “Costuma ser caracterizado por uma natureza saliente, franca, que se adapta com facilidade às situações propostas, estabelece rapidamente ligações e, pondo de lado qualquer tipo de apreensão arrisca-se, com despreocupada confiança, a viver situações desconhecidas”.
Há o “medo do que está dentro”.
Suas forças motivadoras são os fatores externos. As pessoas extrovertidas gostam de viajar, de encontrar novas pessoas, de conhecer novos lugares. São aventureiros e têm vida social intensa.
Considera o introvertido desmancha prazeres, maçante e negativo.

1.2 AS QUATRO FUNÇÕES

Jung chamou de FUNÇÕES RACIONAIS OU DE JULGAMENTO, o pensamento e o sentimento, e de FUNÇÕES IRRACIONAIS OU DE PERCEPÇÃO, a intuição e a sensação.

1.2.1 FUNÇÕES RACIONAIS (DE JULGAMENTO)

PENSAMENTO (FOGO)

É racional por ser função de discriminação lógica (julgamento). Refere-se ao processo de pensamento cognitivo. Nos diz do que se trata aquilo que existe. São tipos reflexivos, são planejadores. Julgam em termos de lógica e eficiência.

SENTIMENTO (ÁGUA)

É racional porque avalia do que gostamos. É discriminatória e reflexiva. É a função do julgamento ou da avaliação subjetiva. Nos dá o valor. Tomam decisões de acordo com um julgamento de valores próprios: bom ou mau, certo ou errado.
Preferem emoções fortes e intensas, ainda que negativas, a experiências “mornas”.

1.2.2 FUNÇÕES IRRACIONAIS (DE PERCEPÇÃO)

SENSAÇÃO (TERRA).

Vê o que está no mundo exterior. É a percepção através dos órgãos dos sentidos. Nos assegura que algo existe.

INTUIÇÃO (AR-METAL)

Vê (capta) o que está no mundo interior. É a percepção através do inconsciente.
Nos dá um palpite do que podemos fazer com isso.

1.2.3 FUNÇÃO SUPERIOR E FUNÇÃO INFERIOR

O ideal seria ter acesso consciente à função exigida ou apropriada para cada circunstância, mas não há controle consciente. Cada pessoa tem uma função fortemente dominante, chamada de SUPERIOR OU DOMINANTE, e a mais utilizada, porque é onde o indivíduo tem mais facilidade.
Outras são relativamente INFERIORES.

As FUNÇÕES INFERIORES permanecem num estado mais ou menos primitivo e infantil, às vezes semiconsciente ou totalmente inconsciente.

A FUNÇÃO INFERIOR guarda uma grande concentração de vida (sombra), e a pessoa tem pouco entendimento ou controle sobre ela. Na meia idade, aspectos da personalidade sempre negligenciados são cobrados. Este processo gera sofrimento, pois para elevar a função inferior ao nível da consciência, é necessário inferiorizar a função superior.

A FUNÇÃO INFERIOR é autônoma.

Ex: vai desde a paixão até a raiva cega (desequilíbrio no eixo madeira-metal do tipo I).

Temos também a FUNÇÃO AUXILIAR, que é consciente e parcialmente desenvolvida. É de natureza diferente da superior, porém não antagônica.

FUNÇÃO RACIONAL + FUNÇAO IRRACIONAL E VICE VERSA.

Ex: PENSAMENTO PRÁTICO está associado à SENSAÇÃO PENSAMENTO FILOSÓFICO, CIENTÍFICO está associado à INTUIÇÃO.INTUIÇÃO ARTÍSTICA está relacionada com o SENTIMENTOINTUIÇÃO FILOSÓFICA sistematiza sua visão através do PENSAMENTO.

Quanto mais desenvolvidas e conscientes forem às funções dominante e auxiliar, mais profundamente inconscientes serão seus opostos.


2. CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS TIPOS PSICOLÓGICOS JUNGUIANOS E SUAS CORRELAÇÕES COM OS TIPOS CONSTITUCIONAIS COREANOS

2.1 INTUIÇÃO EXTROVERTIDA (METAL – TIPO I – TAI YANG)

EXCESSO EM METAL E FALTA EM MADEIRA

EXCESSO EM METAL

Tem grande facilidade em perceber o que está acontecendo nos bastidores. Ele vê através da camada externa. Onde a sensação vê uma coisa ou pessoa, o intuitivo vê a sua alma. Há uma maior conexão com o céu do que com a terra (excesso em metal-ar).
Está sempre a espreita de novas oportunidades e entedia-se com as coisas como elas são. A dificuldade está no elemento (madeira-terra), o que significa que as questões referentes ao dia a dia tomam uma proporção de dificuldade maior do que para os outros tipos.
Dão pouca atenção ao corpo, não percebendo quando estão cansados ou famintos.
Para por em prática as possibilidades da intuição, é necessário o pensamento (fogo) e a sensação (madeira).. Como a madeira gera o fogo e provavelmente este também é deficiente, isto explica a falta de praticidade que lhes é atribuída, sendo às vezes subjetivo demais aos olhos dos outros tipos.

2.2 INTUIÇÃO INTROVERTIDA (METAL – TIPO I – TAI YANG)

EXCESSO EM METAL E FALTA EM MADEIRA

FALTA EM MADEIRA

Em uma vertigem, o indivíduo sensação perceberá todas as sensações corporais, o já o intuitivo exploraria cada detalhe das imagens suscitadas pelo distúrbio. Todo o intuitivo tem a capacidade de pressentir o futuro, mas o introvertido se dirige para o interior como os profetas, poetas, artistas, xamãs. São confusos, perdem-se facilmente, esquecem coisas e compromissos. Tem dificuldade sexual pela pobre noção sobre o seu corpo e do parceiro. A função Sensação (inferior) leva a uma natureza sensual, libidinosa e, devido à carência de julgamento, acaba fazendo alusões sexuais obscenas e socialmente inadequadas.

2.3 PENSAMENTO EXTROVERTIDO (FOGO – TIPO II – SHAO YANG)

EXCESSO EM FOGO – FALTA EM ÁGUA

HIPERENERGIZAÇÃO EM FOGO

O indivíduo tem a vida governada pelo pensamento. É condicionado por dados objetivos transmitidos pela percepção sensorial.
É organizado, faz funcionar (fogo), percebe o que está errado em um projeto, por ex.. Seus parâmetros básicos são as idéias, os ideais, as regras e os princípios objetivos.

Pouca atenção é dada ao sujeito em questão. O difícil é a ligação com o outro. É o indivíduo que está na frente em uma batalha (guerra, por ex.), é o executivo, o professor com uma linha lógica de raciocínio.

2.4 PENSAMENTO INTROVERTIDO (FOGO – TIPO II – SHAO YANG)

EXCESSO EM FOGO – FALTA EM ÁGUA

REDUÇÃO DE ENERGIA EM ÁGUA

Não é prático. Tende a ser mais teórico porque o fogo que tem a propriedade de expansão; como se trata de um introvertido, ele fica contido (para dentro), então não se expande (para fora) como no tipo pensamento extrovertido, o que traria a objetividade e a praticidade característica deste último.
Podem se perder na fantasia. Criam teorias aparentemente baseadas na realidade, mas na verdade, estão vinculadas a uma imagem interior (o fogo está contido).. Na perseguição de suas idéias, geralmente são teimosos e nada sujeitos a influências. Não possuem a maleabilidade da água.. São pesquisadores.

FUNÇÃO INFERIOR: SENTIMENTO EXTROVERTIDO:

Amam, mas não sabem como expressar. Às vezes não sabem como se sentem. Desvia-se da pessoa que ama, como se ela fosse um elemento perturbador. A água é o elemento que traz a facilidade com as emoções e as respostas do sentimento.


2.5 SENSAÇAO EXTROVERTIDA (TIPO III – TAI YIN)

EXCESSO EM MADEIRA E FALTA EM METAL

EXCESSO EM MADEIRA

A pessoa está mais conectada com a terra (excesso em madeira), então tem a percepção dos fatos objetivos bem desenvolvida, mas tem pouca paciência com a realidade abstrata (falta em metal - ar).
A pessoa depende dos objetos. Sua reação depende do próprio objeto. Procurará pessoas ou situações que provoquem fortes sensações.
A percepção dos fatos objetivos é bem desenvolvida, mas tem pouca paciência com a realidade abstrata. Mestres em pequenas coisas, são organizados, não esquecem de compromissos e são pontuais.Não perdem as coisas e não esquecem.
Bom gosto estético. Gostam de esportes e festas. São os profissionais de moda, atletas, etc.
Seu amor depende do atrativo físico da pessoa amada. As vontades, sentimentos e pensamentos do outro não importam, mas vêm detalhes como novo penteado. A intuição inferior leva a pensamentos de desconfiança, verão possibilidades de desgraças, idéias sombrias.


2.6 SENSAÇAO INTROVERTIDA (TIPO III – TAI YIN)

EXCESSO EM MADEIRA E FALTA EM METAL

FALTA EM METAL

É guiado pela intensidade da sensação subjetiva. Como uma chapa fotográfica que capta minúcias: como o outro se sente, expressão do rosto, etc.
O extrovertido retrataria um reflexo realista do objeto, o introvertido a impressão provocada pelo objeto. Em um trabalho artístico, por ex, o extrovertido se ateria a cada detalhe do objeto, já o introvertido a impressão provocada pelo objeto no sujeito (impressionistas franceses).
Sua calma se deve a uma desconexão com o objeto, que é substituído por uma reação subjetiva, que não é a realidade do objeto.
Pouca capacidade racional de julgamento para classificar as coisas. Pouco capaz de compreensão objetiva, não compreendendo a si próprio. Voltado para o aqui agora, não conseguem imaginar o que vem depois.

Função inferior: Intuição extrovertida. Ex: Fantasias proféticas sombrias e visões interiores que se contrapõem a sua disposição de por os pés no chão.
2.7 SENTIMENTO EXTROVERTIDO (TIPO IV – SHAO YIN)

EXCESSO DE ÁGUA – FALTA DE FOGO

FALTA EM FOGO

É orientado pelos dados objetivos e geralmente em harmonia com os valores objetivos (como o pensamento). Procura relações harmoniosas com o ambiente. Não precisam pensar se algo ou alguém lhes importa. Eles sabem. O pensamento está subordinado ao sentimento. Conclusões lógicas que perturbem o sentimento são ignoradas.
PENSAMENTO é arcaico, infantil, negativo. Às vezes têm pensamentos negativos acerca de pessoas que lhe são valiosas.


2.8 SENTIMENTO INTROVERTIDO (TIPO IV – SHAO YIN)

EXCESSO DE ÁGUA – FALTA DE FOGO

EXCESSO DE ÁGUA

Pessoa difícil de se compreender, pois seu exterior revela pouco, assim como a água que toma a forma que lhe é dada. Dão a impressão de não possuírem nenhum sentimento. Torna a pessoa reservada e de difícil acesso. Como defesa, lança julgamentos negativos ou é indiferente. Raramente estas pessoas são sinceras a respeito do que sentem.
Exibem um sistema de valores irrepreensível, possuem um modelo impecável de normas valorativas a ponto de nos obrigar a que nos comportemos decentemente na sua presença.
Não se destacam e não se exibem. Têm uma aparência de autoridade. Evitam festas, porque sua função avaliadora paralisa muitas pessoas.
Temperamento propenso à melancolia.

PENSAMENTO EXTROVERTIDO inferior, primitivo – tende a ser redutivo.

Este texto foi parcialmente extraído e adaptado do artigo “PSICOLOGIA E
ACUPUNTURA” escrito por Marina Paesano – psicóloga acupunturista e editado na
Revista Jung e Corpo de Psicologia Analítica ANO II no. 2 - 2002

Às vezes


Alberto Caeiro

Às Vezes


Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,

Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,

Pergunto a mim próprio devagar

Por que sequer atribuo eu

Beleza às cousas.


Uma flor acaso tem beleza?

Tem beleza acaso um fruto?

Não: têm cor e forma

E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe

Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.

Não significa nada.

Então por que digo eu das cousas: são belas?


Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,

Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens

Perante as cousas,

Perante as cousas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


06 abril 2009

Qi - Essência Vital


QI

Na China é chamado Chi ou Qi. No Japão é chamado Ki. Podemos definir o Ki como Força Vital, ou Essência vital da pessoa, que também está presente em animais, plantas, e todos os seres vivos.

Na filosofia chinesa, originalmente, Chi era aquilo que diferenciava as coisas com vida das coisas sem vida. Com o desenvolvimento dessa filosofia, o conceito de Chi foi ampliando, cada vez mais, sua gama de significados e aplicações. Por isso desenvolveu-se o trio Jing, Chi, Shen:
Essência, substância, e energia espiritual. Assim, pode-se dizer que o corpo físico (Jing) contém o Chi (que poderia ser um campo elétrico ligando o físico ao espiritual) e que o Chi contém o espírito, que é sem forma e intangível. Note que o Chi é a ponte entre matéria e espírito, mais ou menos como o conceito de perispírito no Espiritismo. Outro conceito é que o Chi seria o "material" básico do qual todas as coisas são feitas. As diferenças não seriam que algumas coisas tinham Chi e outras não, mas sim um princípio (Li; em japonês, Ri) que determinava como o Chi estava organizado e funcionava (similar à metafísica grega de forma/matéria).
Podemos detalhar ainda mais o Chi em quatro tipos:


1º) Yuan Chi - Chi original, verdadeiro. É o mais importante para o corpo, pois é formado pelo Chi essencial, inato, produzido a partir dos alimentos pelo Estômago e pelo Baço/Pâncreas, e também pela inalação do ar límpido (ver Prana). É a força motriz para as atividades vitais do corpo.

2º) Zhong Chi - Chi principal. Constitui a força motora que promove a respiração do Pulmão e circulação do sangue e do coração. A voz e a respiração, a temperatura e a capacidade de movimento do corpo estão relacionadas com esse Chi, que se obtém principalmente do ar.

3º) Yong Chi - Chi da nutrição. Produzido a partir da água e dos alimentos, está distribuído nos vasos sanguíneos, realizando o papel de nutrição.

4º) Wei Chi - Chi defensivo ou protetor. Produzido principalmente pelo estômago e pelo baço/pâncreas, esse Chi é a parte mais forte convertida a partir de alimentos, e possui a característica de ser ágil e rápido nos movimentos. Ele está livre do controle da corrente sanguínea, circulando livremente por todo o corpo, até mesmo exteriormente pela pele. As funções de Wei Chi são defender a superfície corpórea contra fatores patogênicos exógenos, controlar o abrir e fechar dos poros cutâneos, regular a temperatura, umedecer e dar brilho à pele e aos pêlos. A insuficiência de Chi no estômago, baço e pâncreas pode levar o paciente a sentir frio e facilidade em apresentar secreção pulmonar.

A origem etimológica do ideograma (Kanji) Ki (気) é o Chi tradicional chinês (氣), que representa o arroz (米) emanando de si o vapor (气) enquanto cozinha. É interessante, porque a energia vital da pessoa pode ser vista por um sensitivo como a aura (em diferentes cores) que rodeia seu corpo, como aquela fumacinha que sai dos Cavaleiros do Zodíaco quando eles "queimam o Cosmo" (só não devemos confundir com o (de)efeito óptico que todos nós temos de ver um contorno difuso em torno das pessoas).

Também é interessante notar que no dicionário há 31 significados associados ao ideograma, os mais comumente usados sendo ar, sopro, essência, espírito, coração, éter, atmosfera, temperamento, sabor, etc, enquanto "energia", tão comumente associado a Ki no ocidente, tem outro ideograma e nome: "Seiryoku".

A atuação do Ki e seu efeito na atividade imunológica recentemente começou a ser estudado em laboratório, quando o Dr. Tsuyoshi Ohnishi, do Philadelphia Biomedical Research Institute, procurou obter evidências científicas objetivas da existência ou não do "efeitos Ki" inibindo o crescimento de células cancerígenas. Foram usadas células cultivadas de fígado humano com câncer, HepG2, separada em três grupos com a mesma contagem de células. Um especialista japonês em Ki emitiu sua energia através dos dedos sobre as vasilhas de um grupo por 5 minutos e 10 minutos em outro, deixando um grupo sem exposição alguma. Após 24 horas, foram feitas novas contagem de células e estudo de proteínas. Foi percebido que o número de células cancerígenas nos grupos expostos ao Ki era muito menor do que o do grupo não-exposto, na faixa de 30.3% e 40.6% (com 5 a 10 minutos de exposição ao Ki, rexpectivamente). E a quantidade de proteína por célula era muito maior nos grupos expostos ao Ki, na faixa de 38.8% e 62.9% (5 e 10 min, respectivamente).

Como todos os grupos tinham o mesmo número de células no início do experimento, a diferença entre os dois se deu por conta do "Efeito Ki". Os resultados foram significantes estatisticamente.

HARA

Hara (腹) significa literalmente "barriga". É na região abdominal onde o Ki se acumula, mas o ponto central de onde esta energia flui para todo o corpo é conhecido por Tanden (em japonês) ou Tan t'ien (丹田 em chinês), que significa literalmente "área vermelha", um ponto 6cm (três dedos) atrás e abaixo do umbigo. É nesse ponto que os praticantes de Kempô/Karatê ou do Tai Chi Chuan se concentram quando fazem as suas técnicas. É fechando o períneo e contraindo o cócix que se fecha um circuito de energia (para não deixá-la escapar, nas meditações Taoístas) e assim unir os canais ímpares Jen Mu e Tu Mu, fazendo assim a órbita Microcósmica no interior do corpo. Sendo estes dois canais intensificados (energizados) os demais meridianos são também intensificados (os dois canais ímpares influem nos outros canais pares, na acupuntura).

Com a prática dessa técnica de retenção do Ki, pode-se fazer uma brincadeira que é usada em demonstrações de artes marciais, quando uma pessoa normalmente magra é levantada facilmente por outra mais forte, mas quando essa mesma pessoa se concentra e direciona seu Ki para baixo, "enraíza" no chão e aparentemente dobra de peso, só sendo levantada novamente com grande esforço físico. Na verdade o que ocorre o seguinte: quando alguém tenta nos levantar e concentramos no Tantien, nós dirigimos - mentalmente - o nosso Ki para baixo, para os pés e para a terra. Assim, a força do nosso adversário é direcionada para baixo pela força do nosso fluxo - da nossa energia indo para baixo - então o nosso adversário está nos "empurrando" para baixo e não para cima, como ele pensa que está. Para ele superar este fluxo terá que desprender bem mais energia do que o necessário para nos levantar do solo. É um redirecionamento da força do oponente (a base do Aikidô).

Uma outra técnica que todos podem fazer diariamente para aumentar gradativamente o Ki é o Resshu Gamae, uma técnica de centralização de energia. Você assume essa postura aí do desenho, com os joelhos levemente flexionados, como se estivesse abraçando o tronco de uma grande árvore. As palmas das mãos espalmadas, viradas para dentro, e cujos dedos apontam um para o outro, sem se tocar.


Comece fazendo isso por 5 minutos ao dia, por 15 dias. Depois passe para 10 min. ao dia por mais 15 dias, e depois 20 min. por mais 15 dias (ufa!). Depois disso você já pode sair por aí soltando Hadouken, Leigan, etc.
No Japão, diz-se que os mestres em caligrafia, espada, cerimônia do chá ou artes marciais "atuam a partir do Hara", ou seja, não precisam de esforço para fazê-lo (algo próximo ao nosso "saber de cor"). Professores budistas orientam seus estudantes a centrar suas mentes no Tanden, que ajuda a manter sob controle os pensamentos e as emoções. "Atuar a partir do Tanden" no budismo é o equivalente ao estado de Samadhi.

NA MEDICINA CHINESA

O Tan t'ien está no centro do corpo. Os taoístas acreditavam que no útero o feto humano recebe um tipo especial de Ki pelo cordão umbilical. Era o chamado "Ki pré-natal", que circulava livremente em sua órbita bem como em todos os 32 meridianos de energia. Depois do nascimento e com o passar do tempo este Ki perde seu controle sobre o corpo, não circula mais livremente, os meridianos ficam bloqueados e resultam em desequilíbrios emocionais, doenças físicas e fragilidade, na velhice.
Por outro lado, Tan t'ien é o nome dado aos três principais centros de energia localizados no eixo interno de nosso corpo:


1º) Tan t'ien Superior - Localizado atrás do ponto médio entre as sobrancelhas - Hipófise.

2º) Tan t'ien Médio - Localizado na região do Plexo - Coração.

3º) Tan t'ien Inferior - Localizado três dedos abaixo do umbigo.

É esse último ao qual nos referimos aqui, também chamado "Mar de Energia". Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, estando cheio o reservatório, ele transborda para os oito vasos energéticos ("vasos maravilhosos") e posteriormente flui para os doze canais (meridianos), cada um dos quais associados a órgãos específicos. Dessa forma o Ki circula por todo o corpo ao longo de canais (muitas vezes seguindo um percurso paralelo ao sistema cardiovascular), animando toda a matéria viva de nosso ser.


O Tan t'ien, portanto, é claramente a base de todo o sistema energético. Mas os órgãos de vital importância para o corpo, na medicina chinesa, são os rins (Shen), pois eles que regulam o armazenamento e distribuição de Chi para o corpo.

Sabedor disso (de alguma forma), os sacerdotes das diversas religiões usam uma cinta, faixa ou corda exatamente nesta altura (notem que não é uma questão estética, já que ela fica um pouco acima da cintura). Lutadores de artes marciais também costumam amarrar uma larga faixa bem apertada nesse local, para ativar e evitar dispersão da energia. A importância parece estar no judaísmo, também, pois no velho testamento os Salmos fazem várias referências ao coração e rins. E no ritual de iniciação ao Zoroastrismo o sacerdote pega três cordões, que simbolizam a essência filosófica dessa religião: boas palavras, bons pensamentos e boas ações. O iniciado beija as cordas, que são então levadas à altura da fronte (ou terceiro olho) e é então amarrado na cintura do iniciado, na altura dos rins, simbolizando um comprometimento com essas três bases Zoroástricas de uma forma muito parecida com o judaísmo, que usa um Tefilin no braço e na cabeça para simbolizar que se está intimamente "atado" a Deus.

NO HINDUÍSMO

Na índia, o Hara é conhecido como o Swadhistana (Morada do Prazer), em sânscrito, ou Chakra sexual (sacro), no Brasil. Na verdade, a função desse chakra ultrapassa em muito a função genital. Ele também controla as vias urinárias e as gônadas (glândulas endócrinas: testículos no homem; ovários na mulher) e é responsável pela vitalização do feto em formação (função essa que divide com o chacra básico). Aliás, a ligação desse dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia Kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro. É por esse fator que alguns tibetanos consideram esses dois chakras como um único centro.

Devido à sua intensa atuação energética na área genital, o chakra sacro normalmente é suprimido por várias doutrinas espiritualistas ocidentais, muito presas à condicionamentos antigos sobre sexualidade. Muitas delas colocam o chakra esplênico (que fica na altura do baço) em seu lugar. O motivo disso é simplesmente o tabu em relação à questão sexual. Já os orientais não sofreram a repressão sexual imposta aqui no Ocidente pelo Cristianismo, daí não hesitaram em classificar o chakra sexual como um dos principais centros de força do campo energético, enquanto consideram o chakra do baço apenas como um centro de força secundário.

Osho nos fala, no livro The Golden Future, sobre a prática de reter o Ki ao "fechar o Hara":


Nosso valoroso combatente Kuwabara, do desenho Yuyu Hakusho, coloca uma faixa para proteger os rins, fechar o Hara e elevar seu Ki para enfrentar o Torneio das Trevas."O Hara é o centro por onde a vida deixa o corpo. É o centro da morte. A palavra Hara é Japonesa; eis porque no Japão, suicídio é chamado de Harakiri. O centro localiza-se a duas polegadas abaixo do umbigo. Isso é muito importante, e quase todo mundo já o sentiu. Porém, só no Japão eles se aprofundaram em suas implicações.

O Hara está muito próximo do centro sexual. Se você não se elevar em direção aos centros mais altos, em direção ao sétimo centro que está na sua cabeça, se você permanecer por toda sua vida no centro sexual, bem ao lado do centro do sexo está o Hara, e quando sua vida acabar, o Hara será o centro por onde sua energia da vida sairá do corpo.

Energia transbordando no centro do sexo é perigoso, porque ela pode começar a ser liberada pelo Hara. E se ela começar a sair pelo Hara, ficará mais difícil conduzi-la para cima. Então eu tinha lhe dito para manter sua energia dentro e não para ser tão expressivo: Segure-a dentro! Eu só queria que o centro do Hara, que estava se abrindo e que poderia ser muito perigoso, ficasse completamente fechado.

Você seguiu isso, e você se tornou uma pessoa totalmente diferente. Agora quando lhe vejo, não posso acreditar na expressividade que tinha visto antes. Agora você está centrado e sua energia está se movendo na direção correta para os centros mais elevados. Está quase no quarto centro, que é o centro do amor e que é um centro muito equilibrado. Três centros estão abaixo e três centros estão acima dele.

Por causa desses sete centros, a Índia nunca deu importância ao Hara. O Hara não está na linha; está apenas ao lado do centro do sexo. O centro sexual é o centro da vida e o Hara é o centro da morte. Excitação demais, muito descentramento, lançar demasiada energia por todo o lugar é perigoso porque isso leva sua energia em direção ao Hara. E uma vez que a rota é criada, fica mais difícil mover-se para cima. O Hara situa-se paralelo ao centro sexual, assim a energia pode se mover muito facilmente. O Hara deve ser mantido fechado. Eis porque eu lhe disse para ficar mais centrado, para segurar seus sentimentos dentro, e para trazer a energia para seu Hara. Se você puder manter seu Hara controlando conscientemente suas energias, este não as permite sair. Você começa a sentir uma tremenda gravidade, uma estabilidade, um centramento, o que é uma necessidade básica para que a energia se eleve.

Seu centro do Hara tem tanta energia que, se ela for corretamente direcionada, a iluminação não é um lugar distante.
Portanto, essas são minhas duas sugestões: mantenha-se tão centrado quanto possível. Não se perturbe com coisas pequenas: alguém está zangado, alguém lhe insulta e você fica pensando nisso por horas. Toda sua noite fica perturbada porque alguém disse alguma coisa... Se o Hara puder segurar mais energia, assim, naturalmente essa imensa energia começa a subir. Há somente uma certa capacidade no Hara, e toda energia que se move para cima move-se através do Hara; mas o Hara deve estar bem fechado.


Então uma coisa é que o Hara deve permanecer fechado.
A segunda coisa é que você deve trabalhar sempre pelos centros mais elevados. Por exemplo, se você fica zangado com muita freqüência você deve meditar mais sobre a raiva, para que essa raiva desapareça e essa energia se transforme em compaixão. Se você é um homem que a tudo odeia, então você deve se concentrar no ódio; medite sobre o ódio, e essa mesma energia se transforma em amor. Prossiga movendo-se para cima, pense sempre nos degraus mais altos, para que você possa alcançar o ponto mais elevado de seu ser. E não deve haver nenhum vazamento no centro do Hara.


Não deve ser permitido que a energia se mova através do Hara. Uma pessoa cuja energia começa através do Hara, você pode detectar muito facilmente. Por exemplo, existem pessoas com quem você irá se sentir sufocado, com quem você irá sentir como se elas estivessem sugando sua energia. Você descobrirá isso, depois que elas vão embora, você relaxa e fica à vontade, embora essas pessoas não estivessem fazendo nada de errado a você.

Você também encontrará o tipo oposto de pessoas, cujo encontro lhe torna alegre, mais saudável. Se você estiver triste, sua tristeza desaparece; se você estiver zangado, sua raiva desaparece. Essas são as pessoas cujas energias está se movendo para os centros mais elevados. A energia delas afeta a sua energia. Estamos continuamente afetando uns aos outros. E o homem cônscio, escolhe amigos e companhias que elevam sua energia.

Mesmo os médicos que trabalham com doentes mentais já deram indicações suficientes disso. Mais psicanalistas cometem suicídio do que qualquer outra profissão, mais psicanalistas enlouquecem do que qualquer outra profissão. E todo psicanalista de vez em quando precisa ser tratado por algum outro psicanalista. O que acontece com esses coitados? Cercado de pessoas psicologicamente doentes, eles são continuamente sugados, e eles não têm a menor idéia de como fechar o Hara delas.

Existem métodos, técnicas para fechar o Hara, assim como há métodos para a meditação, para mover a energia para cima. O melhor e mais simples método é: tente permanecer tão centrado em sua vida quanto possível. As pessoas não podem sequer sentar em silêncio, elas ficam mudando de posição. Elas não podem deitar silenciosamente, por toda à noite elas ficam agitadas e revirando-se.

Você fez bem. Basta continuar o que você está fazendo, acumulando sua energia dentro de você mesmo. A acumulação de energia automaticamente a faz subir. E quando ela ficar mais elevada você irá se sentir em paz, mais amoroso, mais alegre, compartilhando, mais compassivo, mais criativo. Não está muito longe o dia quando você irá se sentir repleto de luz, e com o sentimento de ter chegado de volta em casa."

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Referência: O conceito de Chi;
Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;
Confusão do chakra esplênico com o sacro;
A Importância do Musubi


Retirado do Site: Saindo da Matrix

O Tao do Jung


É um ser indeterminado em sua perfeição, anterior ao céu e à terra, impassível e imaterial. Quieto e sem forma, não dependendo de nada, é imutável, tudo abrangendo, inesgotável! Pode ser considerado a mãe de todas as coisas. Não lhe conheço o nome, mas designo-o pela palavra Tao (Lao Tsé)

Lao Tsé compara o Tao a água para definir sua natureza: "A bênção da água consiste em fazer bem a todos e, apesar disso, procura, conformada, sempre o lugar mais baixo, que todas as pessoas evitam. Portanto, ela tem em si algo do Tao." A idéia do "declive" não poderia ser melhor expressa.

Alguém desprovido de cobiça vê sua essência Alguém cheio de cobiça vê sua exterioridade (Lao Tsé)

Segundo as concepções da religião taoísta, o Tao se divide num par de opostos fundamental, Yang e Yin. Yang é calorluzmasculinidade. Yin é frioescuridãofeminilidade. Yang também é céu, Yin é terra. Da força de Yang nasce Shen, a parte celestial da alma humana; e da força de Yin nasce Kwei, a parte terrena. Na qualidade de microcosmo, o ser humano é um reconciliador dos opostos. Céuser humano e terra são os três elementos principais do mundo, o San-tsai.

Esta imagem é uma concepção bem antiga. Encontramos algo semelhante também em outros lugares como, por exemplo, no mito africano-ocidental de Obatala e Odudua, o casal mais antigo (céu e terra), que, juntos, estavam deitados numa calebaça até que um filho, o ser humano, nasceu no meio deles. O ser humano, como microcosmo que une em si os opostos do mundo, corresponde ao símbolo irracional que une opostos psicológicos. Esta imagem primitiva do ser humano está presente também em Schiller, ao denominar o símbolo "forma viva".

A divisão da alma humana traduz uma grande verdade psicológica. Esta concepção chinesa se apresenta de novo na conhecida passagem de Fausto:

Duas almas, ah, moram em meu peito Uma da outra quer se separar; Uma, com forte paixão amorosa, Ao mundo se aferra com força total; Outra se levanta vigorosa do pó Para as planícies dos grandes ancestrais.

A existência de duas tendências mutuamente antagônicas, ambas tentando forçar o homem a atitudes extremas e envolvê-lo no mundo - tanto no lado material quanto no espiritual - e, assim, dividi-lo em si mesmo, exige a existência de um contrapeso que é exatamente a grandeza irracional do Tao. Por isso o fiel se esforça ansiosamente por viver de acordo com o Tao, a fim de não sucumbir à tensão dos opostos. Sendo Tao uma grandeza irracional, não pode ser produzido intencionalmente, o que Lao Tsé sublinha sempre de novo. A esta circunstância deve seu significado específico um outro conceito, tipicamente chinês, o Wu-wei, que quer dizer "não fazer", mas no sentido de "não agir", e não de "não fazer nada". O racional "querer fazer", que constitui a grandeza e o mal de nossa época, não leva ao Tao.

O objetivo da ética taoísta é resolver a tensão dos opostos, nascida do fundo do universo, pelo retorno ao Tao. Neste contexto temos que lembrar também do "sábio do Omi", Nakae Toju, o importante filósofo japonês do século XVII. Baseando-se na doutrina da escola Chu-Hi, proveniente da China, apresentou dois princípios:Ri e Ki. Ri é a alma do mundo, Ki é a matéria do mundo. Mas Ri e Ki são um e o mesmo, já que são atributos de Deus e, portanto, só existem nele e por ele. Deus é a sua união. Também a alma engloba Ri e Ki. De Deus fala Toju assim: "Deus como essência do mundo engloba o universo mas também está bem próximo de nós e, inclusive, em nosso próprio corpo". Deus é, para ele, um eu comum, enquanto o eu individual é "céu" em nós, algo supra-sensível, divino, chamado Ryochi. Ryochi é "Deus em nós" e mora em cada indivíduo. É o verdadeiro eu. Toju distingue um verdadeiro e um falso eu. O falso eu é uma personalidade adquirida, nascida de concepções errôneas. Poderíamos denominá-lo "persona", ou seja, aquela idéia geral de nosso ser que formamos a partir da experiência de nossa influência sobre o mundo e da influência deste sobre nós. A persona designa isto: como alguém parece a si mesmo e ao mundo, mas não significa o que alguém é, para usar as palavras de Schopenhauer. 0 que alguém é, é a sua individualidade, segundo Toju, seu eu "verdadeiro", o Ryochi.

Ryochi também designa o "estar só", o "conhecer só", certamente porque é um estado relacionado com a essência do si-mesmo (Self), além de todo julgamento pessoal, condicionado pela experiência exterior. Toju entende Ryochi como "sumo bem", como "delícia" (No hinduísmo, Brahma = Ananda, que é igual a delícia,êxtase). Ryochi é a luz que perpassa o mundo, paralelo que Tetsujiro Inouye estabelece com Brahma. Ryochi é amor humano, imortal, onisciente, bom. O mal vem do querer (Schopenhauer). Ryochi é a função auto-reguladora, o intermediário e unificador dos pares de opostos, Ri e Ki. É, segundo a concepção hindu, o "velho sábio que mora em teu coração", ou, como diz o pai chinês da filosofia japonesa:

Em cada coração habita um sejin (sábio). Apenas não acreditamos com força suficiente, por isso o Todo permaneceu sepultado (Wang Yang-Ming)

Carl Jung; Tipos psicológicos - Ed. Vozes

Ghost in the Shell 2: Innocence HD

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