29 junho 2009

J. Krisnamurti :: Psique-Mente-Coração ::

(…) Para se ver qualquer coisa plenamente, integralmente, necessita-se liberdade, e a liberdade não vem por meio de compulsão, de um processo de disciplina, de repressões, mas só quando a mente se compreende a si mesma, o que é autoconhecimento. Essa forma superior de inteligência, que é o pensar negativo, só aparece quando o processo de pensamento cessou; e, nessa vigilante tranqüilidade, percebe-se o todo do problema. E só então há a “ação integrada”, plena, correta, completa. (A Arte da Libertação, pág. 47-48)

Essa liberdade interior da Realidade não é uma dádiva; cumpre-nos descobri-la e conhecê-la. (…) Ela é um estado equivalente ao silêncio, à tranqüilidade, onde não há vir a ser, onde existe a plenitude. (…) Essa liberdade não é um dom, nem produto do talento; encontra-se esse tesouro imperecível, quando o pensamento está livre da luxúria, da malevolência e da ignorância; quando está livre da mundanidade e do desejo pessoal de ser algo. Essa liberdade pode ser conhecida com o justo pensar e a meditação justa. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 35)

A liberdade requer a total cessação de toda autoridade interna. Desse estado mental resulta uma liberdade externa toda diferente da reação de oposição ou de resistência. (…) A mente, o cérebro está condicionado por causa da autoridade, da limitação, da obediência: eis o fato. O homem realmente livre não reconhece nenhuma autoridade interior; esse homem sabe o que é amar e meditar. (A Questão do Impossível, pág. 23)

Por certo, investigar se a mente pode ser livre é como fazer sozinho uma jornada pelo desconhecido. Porque, obviamente, a Verdade, a Realidade, Deus, ou o nome que quiserdes, é o Desconhecido; (…) Deveis chegar-vos a ele completamente sós, deveis empreender a viagem sem companheiro, sem Sankara, sem Buda ou Cristo. Só então descobrireis o que é verdadeiro. (…) (O Homem Livre, pág. 83)

Tudo isto (…) constituiu um desenrolar, um desdobrar do processo de pensar, do processo de consciência. E agora, se chegastes a este ponto, (…) - podeis começar a investigar a questão do espaço e do vazio. Há necessidade de espaço, pois, do contrário, não pode haver liberdade. Na mente limitada não há espaço nenhum. A mente respeitável, “burguesa”, educada com muito esmero e, portanto, cheia de problemas, ansiedades, temores, desesperos - não contém espaço nenhum. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 139)

Que é espaço? O espaço é criado pelo objeto. (…) Aqui está este microfone - o objeto. Por causa do objeto existe espaço ao redor dele; e o objeto existe por causa desse espaço. (…) Dentro de nós há espaço porque existe um centro. Esse centro é o observador, o censor, o sujeito que busca, a entidade que diz “Eu fui”, “Eu sou”, “Eu serei”. Esse centro cria espaço em redor de si; do contrário, ele não poderia existir. (Viagem por um Mar desconhecido, pág. 139-140)

Ora, pode haver espaço sem aquele centro? só se pode responder a esta pergunta sem “verbalização”, sem argumentação, sem se apresentar tal ou tal opinião. Só há possibilidade de resposta sem o centro. E, se o centro existe e está a criar espaço, não há nesse espaço liberdade nenhuma; a pessoa está para sempre escravizada. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 140)

E, agora, cumpre compreender também o que é silêncio. Como sabeis, nunca estamos em silêncio; vivemos num perene dialogar com nós mesmos ou com outrem. O maquinismo do pensamento está incessantemente ativo, a “projetar-se” (…) - a tagarelar e tagarelar, infinitamente; ou ajustar-se, a aceitar comparar julgar, condenar, imitar, obedecer. Sabendo-se disso, criaram-se várias formas de meditação. (…) E só a mente silenciosa é capaz de perceber, de ver realmente; não a mente que está a tagarelar, a mente que está sendo controlada, torturada, reprimida, (…) Só a mente muito silenciosa é capaz de ver realmente. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 116)

(…) Há o silêncio da mente, nunca perturbado por barulho algum, por nenhum pensamento, ou pela lufada passageira da experiência. Esse silêncio é que é “inocente” e, por conseguinte, Infinito. Quando na mente existe esse silêncio, dele brota a ação, ação jamais causadora de confusão e sofrimento. (A Outra Margem do Caminho, pág. 30)

Surge então a pergunta: pode o pensamento estar completamente silencioso e funcionar só quando é necessário - no conhecimento tecnológico, no escritório, quando se fala, etc - e o resto do tempo estar absolutamente quieto? Quanto mais espaço existe mais silêncio, tanto mais lógica, sã e judiciosamente pode ele funcionar no campo do conhecimento. (…) (El Despertar de la Inteligência, II, pág. 171)

Silêncio, não só do pensamento, mas também do cérebro. (…) O cérebro, isto é, os nervos, as células, tudo está em silêncio, porém extraordinariamente vigilante, atento. Por causa desse silêncio, há espaços; e, porque há espaço, há amor. (A Suprema Realização, pág. 76)

Vereis, então, que o amor altera imediatamente todas as ações da vida. É ele o único “catalisador”, só ele e nada mais promoverá a mutação total da mente. Nós necessitamos dessa mutação, (Idem, pág. 76)

Leia na Integra o texto acima!

Fonte: ICK

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