31 agosto 2009

O Koan Mu – O Cão de Joshu

Os métodos mais usados no Zen com vista à iluminação, satori, em Japonês, são o trabalho sobre a respiração, a postura e os koans. O Budismo Zen Japonês divide-se essencialmente em duas escolas: Soto e Rinzai. A primeira valorizou os dois primeiros métodos enquanto que a segunda deu ênfase essencialmente ao método dos Koans.

Caligrafia de Setsudo Genko (m. 1853)

Esta caligrafia de Setsudo Genko tem como tema o «Koan Mu».

MU
Engole todo o oceano de MU
e rumina-o.

O koan é um problema que o discípulo do zen deverá resolver, mas cuja solução não se atinge pelo pensamento intelectual.

Os Koans mais famosos foram compilados por Mumon Ekai (1183-1260) sob o título de Mumonkan - a Porta sem porta.

Eles são as portas para a verdade e para a libertação. Mas estas não são portas já abertas, mas portas a abrir, daí que no próprio Mumonkan se possa ler:

«O grande caminho não tem porta,
Milhares de estradas lá vão dar.
Aquele que atravessa essa porta sem porta
Caminha livremente entre o céu e a terra.»

O mais famoso de todos os koans, aquele que mais do que qualquer outro foi objecto de meditação por parte dos discípulos do Zen, é aquele com que abre o Mumonkan: o Koan Mu. Este koan é apresentado do seguinte modo:

«Um monge perguntou a Joshu: “um cão possui a natureza de Buda?”
Joshu respondeu: “Mu”»

Mu significa “nada” mas à meditação sobre este koan, não interessa o significado da palavra “Mu”.
O texto que apresentamos aqui é o comentário do próprio Momon Ekai a este koan.


Poema de Momon Ekai:

Um cão, a natureza se Buda! –
Isto é a apresentação do todo, o absoluto imperativo!
Mal comeces a pensar “tem”, “não tem”
És um homem morto.

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* A palavra original designa simultaneamente “porta” e “barreira”
** Kuan foi um general invencível em combate com a sua espada “azul-dragão”

Artigo de: Manuel Galrinho
Publicado em: www.aikideai.com

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