27 dezembro 2009

A mente solitária

É uma coisa extraordinária descobrir por si mesmo o que significa compreender alguma coisa imediatamente, sem uma porção de palavras - ver um fato como um fato, completamente, sem argumentação. A partir desse ato de ver, a pessoa pode argumentar, discutir, entrar em detalhes; mas primeiro a pessoa tem que ter essa espantosa intensidade de ver pois é o próprio ato de ver - ver sem pensamento - que provoca a transformação. Isto pode parecer um tanto absurdo, mas não é, como vocês descobrirão quando investigarmos mais tarde.

Para ver, para ouvir, a mente deve estar completamente e espontaneamente quieta - não forçada, não empurrada para a quietude. Só uma mente quieta pode ouvir, pode ver, não uma mente que tem inumeráveis problemas. Quando a mente percebe que não pode ver porque tem muitos problemas, esse próprio saber que ela não pode ver provoca o ato de ver.

Tudo isto demanda uma extraordinária atenção. Quando você pode dar toda atenção, não só atenção intelectual ou verbal, mas quando todo o seu ser - corpo, mente, e emoção - está atento, você está então num estado da mais alta sensibilidade, e apenas tal mente é virtuosa.

Por favor, ouçam isto. O homem que se esforça pela virtude não é um homem virtuoso. O homem que se esforça para ser bom, amável, não é bom ou amável, porque bondade, amabilidade, ou amor só surgem quando a mente está tão completamente atenta que não tem conflito.



...só uma mente que está completamente só pode descobrir a realidade. E existe uma realidade - não uma realidade teórica, não algo inventado pelos cristãos ou pelos hindus ou vivenciado por alguns santos de acordo com seu condicionamento particular, mas uma realidade, uma imensidão que pode ser descoberta apenas por uma mente que viu através de seus próprios caminhos e compreendeu a si mesma...

Retirado do site: ICK
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