22 abril 2010

Estar profundamente só...

Quando somos muito novos, criancinhas, dependemos da mamãe para ganharmos nosso leite. Precisamos de proteção, vigilância, carinhos. À mesma lei então sujeitas as aves e todos os animais. É uma coisa natural. Mas, se, depois de crescermos, continuamos dependendo de alguém para nossa felicidade, (…) conforto, orientação, segurança, então, como resultado dessa dependência, surge o temor. (…) A dependência faz-nos embotados, insensíveis, medrosos. (…) A dependência a que me refiro é a dependência psicológica, a busca psicológica de proteção. (…) (Debates sobre Educação, pág. 165)

Quando vocês dizem que amam alguém, não dependem interiormente dessa pessoa? Enquanto forem crianças, naturalmente dependerão de seus pais, de sua professora, de seus guardiães. Eles precisam cuidar de vocês, alimentá-los, vesti-los e abrigá-los. Vocês precisam ter a sensação de segurança, (…) de que alguém está cuidando de vocês. (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 71)

Mas o que acontece geralmente? À medida que vocês crescem, essa sensação de dependência continua a existir (…). Não observaram já em pessoas mais velhas, em seus pais e professores? Notaram como eles ainda dependem emocionalmente de suas esposas ou maridos, de seus filhos ou de seus próprios pais? (Idem, pág. 72)

Quando cresce, a maioria das pessoas ainda continua apegada a alguém (…) a ser dependente. Se não tiverem alguém em quem se apoiarem, que lhes dê a sensação de conforto e segurança, as pessoas se sentem sós (…). Elas se sentem perdidas. Essa dependência que temos em relação aos outros é chamada de amor; mas se vocês observarem isso de perto, verão que dependência é medo, e não amor. (Idem, pág. 72)

A maioria de nós tem medo de ficar só, (…) de pensar por si mesmo, medo de sentir profundamente, de explorar e descobrir todo o significado da vida. Por isso essas pessoas dizem que amam a Deus, e elas dependem daquilo a que chamam Deus; mas não é Deus, não é o desconhecido, é algo criado pela mente. (Idem, pág. 72)

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Jiddu Krishnamurti
Site: http://www.krishnamurti.org.br/


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06 abril 2010

O Poder Interno da Intenção

A intenção é uma direção interna da qual nem sempre somos conscientes. Um algo invisível que direciona nossa vida cotidiana e nos traz graças e desgraças. Nossa intenção precisa ser conhecida, identificada, trabalhada e estudada profundamente se queremos ter um controle saudável sobre o nosso destino, a nossa vida material, espiritual e emocional.

Os chineses consideram a intenção como um poder inquestionável que nasce da menteYI. A mente Yi significa força mental, intenção, percepção, concentração. A mente Yi é o resultado da união interna que se processa quando nossa mente pensante a vontade (cérebro) se une a nossos sentimentos (coração) e a mente abdominal, as entranhas (concretização- o corpo). Estas 3 vontades nunca estão unidas, cada uma buscando seus próprios objetivos que quase sempre estão em conflito.

As ultimas pesquisas científicas divulgadas pela imprensa nos últimos 10 anos e discutidas em alguns livros como “ O segundo Cérebro” do Dr. Michael G. Gerson MD e o livro inédito no Brasil “The Heart´s Code” escrito pelo PhD Dr. Paul Pearsal, já provam cientificamente a existência de mais dois cérebros em nosso corpo o cardíaco e o abdominal. O material publicado nestes livros mostra que temos um “cérebro” que pensa, que registra, guarda e processa informações tanto no coração quanto no ventre. Estas descobertas foram feitas pelos chineses há milhares de anos atrás. Os conhecimentos taoistas afirmam que não somente temos estes 3 principais cérebros, e ainda mais, afirma que cada célula e órgão de nosso corpo é inteligente e capaz de tomar suas próprias decisões.

A vida com seus problemas, os hospitais cheios de doentes e os problemas de relacionamento provam claramente que não temos ainda este controle, que precisamos urgentemente aprender a administrar todas estas “vontades” que ainda brigam dentro de nós: a vontade do corpo, da mente e do coração. Conseguindo esta façanha, com certeza teremos o poder interno, o poder da intenção e as maravilhas que esta intenção poderosa vai poder construir em nossas vidas.

Quando criança, eu ouvia histórias de fadas que faziam mágicas com suas varinhas de condão mudando tudo a sua volta. Ordenavam e as forças da natureza obedeciam, e tudo aquilo pelo poder de uma varinha mágica que carregavam na mão e pediam; “faça isto ou aquilo” e os sonhos mais impossíveis se tornavam realidade. Lembro-me da minha primeira decepção quando um dia, acordei bem cedo, antes de qualquer adulto poder impedir minhas andanças, (tinha uns 4 anos) e fui para o quintal onde encontrei uma varinha. Na minha mente de criança aquela era a varinha mágica dos contos de fadas e que ela tinha o poder de realizar todas as minhas ordens. Corri para o enorme quintal de nossa casa e ordenei para a mangueira na minha frente que saísse do lugar e viesse passear comigo. Apontei a varinha para a mangueira e tentei uma, duas e inúmeras vezes ...e a mangueira enorme não movia uma única folha, ali inerte na terra rindo da minha inocência de criança.

Às vezes olho para o rumo que tomou minha vida de adulta, e acredito que aquela primeira decepção ainda direciona todo meu trabalho dedicado a pesquisar uma forma de ter uma varinha mágica, de descobrir o que ela significa e tentar construir uma vida melhor para todos nós na terra. Acredito sinceramente que foi aquela primeira decepção que me tornou uma instrutora de Qigong (Alquimia Interna Taoista) e estudiosa do I Ching, o livro das mutações. Hoje escrevendo este artigo sinto, mais do que nunca, que a varinha mágica existe, mas temos que conquista-la e construí-la fortalecendo o poder de nossa intenção. Este poder interno pode realmente construir mundos porque não apenas deseja coisas, mas usa a intenção poderosa para realizar as coisas que deseja.

Hoje sei que podemos unificar estas 3 mentes numa única mente e tomar posse de nosso poder interno; a intenção poderosa que constrói mundos.

Vamos aos passos necessários para chegarmos lá;

Passo um – focalizar a atenção e a consciência – construir a atenção plena. Aqui precisamos fazer com que a mente “macaco”, que pula de um pensamento a outro, focalize em um único objetivo de cada vez. Para isto precisamos deslocar o foco da atenção do cérebro da cabeça para o cérebro abdominal no Tan Tien inferior. Precisamos fazer com a que a energia desça e aprenda a operar a partir do CENTRO abdominal. Na Alquimia Interna Taoista usamos posturas, fórmulas que levam a mente a baixar seu foco para o centro do corpo, para o cérebro abdominal. Assim conquistamos o cérebro da cabeça; o Tan Tien superior. Criamos um silêncio interno, um espaço que acolherá nossas melhores intenções.

Passo dois – Aprender a transformar as emoções negativas em energia pura. As emoções negativas são nossa matéria prima de trabalho. Aprendendo como transforma-las antes que se apossem do coração, tomamos posse do cérebro do coração. Na Alquimia Interna Taoista aprendemos a meditação do sorriso e os seis sons que curam para transformar estas emoções, e assim, tomamos o controle sobre o cérebro do coração, no Tan Tien médio. Nesta fase nos livramos do poder destruidor das emoções negativas e utilizamos sua energia pura para construir nossa paz interior.

Passo três - Recuperamos a energia original, a energia dos rins, aprendendo a captar a energia da terra e a transformar a energia sexual em pura vitalidade para fortalecer o corpo. Usamos as fórmulas do Iron Shirt Chi Kung e suas posturas para abrir os vasos maravilhosos e usamos a técnica de transformação da energia do sêmen e do ovário para gerar uma grande quantidade de energia. Esta energia transformada nos dará o poder necessário para construirmos nossa realidade externa dentro de valores sólidos, sábios e duradouros.

Último passo – Unir todas estas forças em uma só, fazendo a energia circular entre estes três cérebros, estas 3 vontades. Formamos assim, uma única vontade que é movida pela intenção; pela mente unificada Yi.

Uma intenção poderosa é uma vontade, uma percepção e uma concentração unificadas. Quando conseguimos esta unificação, seremos realmente os senhores de nossa casa. Mas iludem-se aqueles que pensam que este poder é controlador, dominador e rígido. Este poder é amoroso, maleável e funciona em sintonia com o movimento natural das coisas, o Tao de cada situação. Ele deixa cada centro se governar, se auto-regular. Em verdade nosso comando é de mão dupla, parte realizada pela nossa vontade que convida, muito mais do que ordena, e parte pelo poder e pela “vontade” da energia viva, que é consciente, mestra e sábia

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Escrito por:
Ely Britto
Instrutora de Qigong- sistema Mantak Chia
Site: http://www.healing-tao.com.br/




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