28 fevereiro 2011

É possível viver mil anos !?!

Aubrey de Grey
geneticista da Universidade de Cambridge*

O envelhecimento é um fenômeno físico que acontece em nossos corpos. Em algum momento no futuro, com a medicina cada vez mais poderosa, nós inevitavelmente seremos capazes de tratar o envelhecimento com a mesma eficiência com que tratamos muitas doenças hoje em dia.

Acredito que estamos perto disso por causa do projeto SENS, criado para prevenir e curar o envelhecimento.

Não se trata apenas de uma idéia: é um plano muito detalhado para reparar todos os tipos de danos moleculares e celulares que ocorrem conosco ao longo do tempo.

E cada um dos métodos para fazer isso já funciona de forma preliminar (em experiências clínicas) ou é baseado em tecnologias que já existem ou precisam apenas ser combinadas.

Isso significa que todas as etapas do projeto devem funcionar totalmente em ratos dentro de apenas dez anos, e nós podemos levar apenas outros dez anos para conseguir que funcionem em humanos.

Com essas terapias, ao envelhecer, não ficaremos mais frágeis, desgastados pela idade e dependentes, e eventualmente não sucumbiremos às inumeráveis e terríveis doenças progressivas da velhice.

Embondeiro_BaobáMilhares de anos

Nós ainda vamos morrer, é claro – ao atravessar a rua sem tomar cuidado, ao levar picadas de cobras venenosas, ao pegar uma nova variante de gripe, etc. Mas não da maneira como muitos de nós morremos hoje em dia.

Nós ainda vamos morrer, é claro – ao atravessar a rua sem tomar cuidado, ao levar picadas de cobras venenosas, ao pegar uma nova variante de gripe, etc.

Aubrey de Grey

Então, será que isso vai acontecer a tempo para as pessoas vivas atualmente? Provavelmente. Essas terapias se aplicam a pessoas na meia-idade ou mais velhas que têm uma quantia razoável de danos acumulados.

Acho que a primeira pessoa a viver mil anos pode já ter 60 hoje em dia.

Existem sete principais tipos de danos moleculares e celulares que eventualmente se tornam ruins para nós – incluindo células perdidas sem substituição e mutações em nossos cromossomos.

Cada um desses danos é potencialmente reparável com tecnologias que já existem ou estão em desenvolvimento ativo.

A duração de nossas vidas será muito mais variável do que agora porque as pessoas não ficarão mais frágeis com o passar do tempo.

A média de idade será de alguns milhares de anos. Esses números são palpites, é claro, mas se baseiam na freqüência com que os jovens morrem hoje em dia.

Se você é um adolescente razoavelmente atento para os riscos, em uma vizinhança com bons recursos e sem violência, a chance de você morrer no ano que vem é bem menor do que uma em mil – o que significa que, se continuar assim para sempre, você tem uma chance de 50% de viver mais de mil anos.

E lembre-se: em nenhum momento você sofreria enfraquecimento, debilidade ou dependência – você seria jovem, mental e fisicamente.

Direito à vida

A cura do envelhecimento vai mudar a sociedade de maneiras inumeráveis. Algumas pessoas têm tanto medo disso que pensam que deveríamos aceitar o envelhecimento como ele é.

Acho isso diabólico, significa que deveríamos negar às pessoas o direito à vida.

O direito de escolher viver ou morrer é o mais fundamental que existe. Ao mesmo tempo, a responsabilidade de dar aos outros essa oportunidade da melhor forma possível é a responsabilidade mais fundamental que existe.

O direito de escolher viver ou morrer é o mais fundamental que existe.

Aubrey de Grey

Não há diferença entre salvar vidas e estender vidas porque, nos dois casos, estamos dando às pessoas a chance de viver mais. Dizer que não deveríamos curar o envelhecimento é antiquado, é afirmar que não vale a pena oferecer tratamento médico a pessoas velhas.

As pessoas também afirmam que vamos ficar terrivelmente entediados, mas digo que temos recursos para melhorar a capacidade de todos de aproveitar a vida ao máximo.

OvnilogiaPessoas com uma boa educação e tempo para usá-la nunca ficam entediadas hoje em dia e não consigo imaginar que as coisas novas que elas gostariam de fazer se esgotem.

E, para finalizar, algumas pessoas acreditam que isso tudo poderia significar brincar de Deus ou ir contra a natureza, mas aceitar o mundo como nós o encontramos não é natural para nós.

Desde que inventamos o fogo e a roda, temos demonstrado nossa habilidade e nosso desejo inerente de consertar as coisas que não gostamos em nós mesmos e em nosso ambiente.

Nós iríamos contra o aspecto mais fundamental do que é ser humano se decidíssimos que devemos conviver para sempre com algo tão horrível como alguém ficando frágil, desgastado pela idade e dependente.

Se mudar o nosso mundo é brincar de Deus, esse é apenas mais um motivo por que Deus nos fez a sua imagem e semelhança.

* Aubrey de Grey lidera o projeto SENS na Universidade de Cambridge e concorre ao Prêmio Rato Matuzalém, dedicado a pesquisas de combate ao envelhecimento em ratos. O cientista escreveu este texto a pedido da BBC, que fez uma série de reportagens especiais sobre o envelhecimento.

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Fonte: BBC Brasil

04 fevereiro 2011

Cientistas descobrem um novo nível de informação no DNA

dna_2Múltiplas informações no DNA

Em algumas raras ocasiões - cerca de 1% do tempo - o famoso formato helicoidal do DNA contorce-se até assumir um desenho diferente, sem perder a função.

"Nós descobrimos que a dupla hélice do DNA existe em uma forma alternativa durante um por cento do tempo e que esta forma alternativa é funcional," afirma Hashim Al-Hashemi, professor de química e biofísica da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

E isto pode ser mais importante do que parece à primeira vista: "Juntos, estes dados sugerem que há várias camadas de informação armazenadas no código genético," propõe o cientista.

As descobertas foram publicadas na revista Nature.

Formato do DNA

Já se sabe há algum tempo que a molécula de DNA pode dobrar e flexionar, de forma parecida com uma escada de corda, mantendo seus blocos fundamentais, chamados pares de base, perfeitamente emparelhados, como no modelo originalmente descrito por James Watson e Francis Crick, em 1953.

Agora, adaptando a tecnologia de ressonância magnética nuclear (RMN), o grupo de Al-Hashimi conseguiu observar formas alternativas transitórias.

Nessas metamorfoses, alguns degraus da escada se separam e remontam em estruturas estáveis diferentes da estrutura de pares de base proposta pelo modelo de Watson-Crick.

"Usando a RMN, fomos capazes de acessar os deslocamentos químicos desta forma alternativa," diz Evgenia Nikolova, que fez os experimentos. "Estas mudanças químicas são como impressões digitais que nos dizem algo sobre a estrutura."

Pares de base Hoogsteen

Por meio de uma análise cuidadosa, Nikolova percebeu que as "impressões digitais" eram típicas de uma orientação na qual certas bases são giradas em 180 graus.

"É como pegar metade do degrau e virá-lo de cabeça para baixo, de forma que a outra face agora aponta para cima," complementa Al-Hashimi. "Se você fizer isso, você ainda pode recolocar as duas metades do degrau juntas novamente, mas agora o que você tem não é mais um par de bases de Watson-Crick, é algo chamado um par de base Hoogsteen".

Pares de bases Hoogsteen já foram observados em DNA de fita dupla, mas somente quando a molécula se liga a proteínas ou drogas, ou quando o DNA está danificado.

DNA excitado

O novo estudo mostra que, mesmo em circunstâncias normais, sem nenhuma influência externa, determinadas seções do DNA tendem a se transformar brevemente na estrutura alternativa, chamada de "estado excitado".

Estudos anteriores da estrutura do DNA usavam essencialmente técnicas como raios X e ressonância convencional, que não conseguem detectar essas mudanças estruturais raras e fugazes.

Segundo Al-Hashimi, como se acredita que as interações críticas entre o DNA e as proteínas são dirigidas tanto pela sequência de bases, como pela flexão da molécula, esses estados excitados representam um novo nível de informações contidas no código genético.

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FONTE: 03/02/2011 - Redação do Diário da Saúde

01 fevereiro 2011

Meditação altera estrutura do cérebro em oito semanas

cerebro-meditacaoMassa cinzenta

Dois meses de prática de meditação são suficientes para gerar mudanças mensuráveis nas regiões do cérebro associadas à memória, ao sentido de si mesmo, à empatia e ao estresse.

Em um estudo que será publicado na revista Psychiatry Research, uma equipe liderada por cientistas do Hospital Geral de Massachusetts (MGH) relata os resultados deste que é o primeiro estudo a documentar alterações na massa cinzenta do cérebro produzidas pela meditação.

Os praticantes de meditação sempre afirmaram que, além da sensação de relaxamento e tranquilidade física, eles experimentam benefícios cognitivos e psicológicos de longa duração.

Os cientistas agora confirmaram essas alegações e demonstraram que elas estão associadas a alterações físicas reais no cérebro.

Meditação que altera o cérebro

Estudos anteriores de vários grupos encontraram diferenças estruturais entre os cérebros de praticantes de meditação experientes e de indivíduos sem história de meditação, sendo observado um espessamento do córtex cerebral em áreas associadas com a atenção e a integração emocional.

Este estudo reforça essas conclusões ao eliminar outros efeitos e documentar que tais diferenças foram efetivamente produzidas pela meditação.

O estudo usou imagens de ressonância magnética do cérebro dos participantes.

Os participantes relataram também redução do nível de estresse, que foram correlacionados com a diminuição da densidade da massa cinzenta na amígdala, que é conhecida por desempenhar um papel importante na ansiedade e no estresse, mas também na sociabilidade.

Plasticidade do cérebro

Por muito tempo os cientistas acreditaram ter "evidências" de que o cérebro era uma estrutura fixa, com um número de neurônios que só fazer decrescer ao longo da vida.

Hoje já é reconhecido não apenas que o cérebro é dotado de uma incrível plasticidade, mas também que mudanças no cérebro podem ser induzidas voluntariamente.

"É fascinante ver a plasticidade do cérebro e que, praticando a meditação, podemos desempenhar um papel ativo para mudar nosso cérebro e aumentar o nosso bem-estar e nossa qualidade de vida," diz Britta Hölzel, da Universidade de Giessen, na Alemanha, coautora do estudo.

Fonte: Diário da Saúde

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