12 março 2013

Psicologia da escassez


“A dinâmica da psicologia da escassez funciona assim: de maneira simultânea à formação do ego individual nasce um senso profundo de falta, uma sensação de separação de tudo o mais na vida. Esse sentido de separação traz um sentimento de contração e um senso de incompletude, que nós tentamos mitigar através de apegos mentais, físicos e emocionais. A necessidade percebida para defender e expandir nossos apegos, por sua vez, cria um sentimento de luta, de esforço. O esforço traz o ressentimento, a ingratidão e retenção, que nos rouba a alegria e impede a energia de fluir livremente em nossas vidas. Isso nos leva pra longe do caminho de nossos destinos natos. Ao invés de seguir nossos próprios caminhos, nós buscamos a aprovação e a atenção dos outros. Esse desejo de aprovação, por sua vez, produz hostilidade e inveja. A inveja, por sua vez, provoca ganância, que agita nossas mentes e nos coloca na louca corrida que chamamos hoje de “corrida de ratos”. Nesse processo, perdemos a capacidade de apreciar os prazeres simples que estão no lazer. No fim das contas, isso nos leva a uma sensação de caos e confusão que ofusca nossa inteligência natural e nos rouba a capacidade de apreciar a beleza da vida.

Por outro lado, a psicologia da abundância flui naturalmente do Tao, do caminho da vida. Movendo-se a partir da unidade do Tao, da eperiência de unidade com toda a vida, recebemos a abundância natural do universo com facilidade em um espirito de gratidão e alegria. Assim, a energia flui livremente em nossas vidas, e realizamos nossos destinos natos. Reconhecer a força inata e a dignidade de toda a vida, vivemos em harmonia com ela e com seus ciclos naturais. Respeitando nossa humanidade acima de qualquer outro objetivo externo ou recompensa, cultivamos um senso de lazer e paz necessário a apreciar a belezame a ordem inerentes da vida, e, assim, nos permitimos expressá-las através do que fazemos.”
Laurence Boldt, em “O Tao da Abundância”
Esse assunto da psicologia da escassez é preciosamente interessante, justamente pelo que o autor americano fala no início do seu texto acima: porque a própria concepção de ego traz embutida uma dimensão de escassez. Essa escassez poderia ser relacionada diretamente ao conceito de “dukkha” que Buddha Guatama fala em suas Nobres Verdades, uma espécie de incompletude, insatisfação, inadequação que contém em si o cerne do sofrimento. Os americanos gostam desse conceito de abundância porque usam para satisfazer seus desejos pessoais de dinheiro, fama, sucesso profissional ou coisas menos associadas ao sentido mais profundo da abundância, que está ligada a uma realidade “nata” em nós e ao nosso redor. Na minha percepção, a abundância que é o tema do parágrafo acima não é exatamente o contrário dualista de escassez, mas uma realidade que se opõe a um engano (a escassez).
Laurence Boldt é um coaching americano autor de livros como “Zen and the Art of Making a Living” e “Zen Soup“. Na bio da Wikipedia definem os temas abordados por ele como um “híbrido de princípios religiosos orientais (Taoísmo, Zen) com o estilo pragmático de resolução de problemas ocidental”. O livro “The Tao of Abundance: Eight Ancient Principles for Abundant Living” é inédito no Brasil.
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FONTE: http://dharmalog.com

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