09 março 2014

A menininha dos fósforos


A concentração e o moinho da fantasia

Na América do Norte, o conto intitulado "A menininha dos fósforos" é mais
conhecido na versão de Hans Christian Andersen. Ele descreve as conseqüências da
falta de alimento e da falta de concentração. Trata-se de uma história muito antiga,
contada pelo mundo afora, em versões diferentes. Às vezes ela fala de um carvoeiro
que usa seus últimos carvões para se aquecer enquanto sonha com tempos passados.
Em algumas versões, o símbolo dos fósforos é transformado em algum outro objeto,
como na história do pequeno florista, que descreve um homem magoado que
contempla fixamente o centro das suas últimas flores até desaparecer para sempre.
Embora haja quem dê uma interpretação superficial a essas histórias e declare
que não passam de histórias piegas, querendo dizer que elas têm excessivo apelo
emocional, seria um erro ignorá-las sem lhes dedicar maior atenção. Em sua
essência, esses contos são profundas expressões da psique, a qual pode vir a ser
hipnotizada negativamente a um tal ponto que a vida real e vibrante começa a
"morrer" em espírito.
A primeira vez que ouvi essa versão de '’A menininha dos fósforos" foi da
minha tia Katerina, que veio para os Estados Unidos depois da Segunda Guerra
Mundial. Durante a guerra, sua humilde aldeia de lavradores da Hungria havia sido
dominada e ocupada por três nações hostis. Ela sempre começava a história dizendo
que sonhos agradáveis sob circunstâncias difíceis não fazem bem; que nos tempos
árduos precisamos ter sonhos fortes, reais, sonhos que possam se realizar se
trabalharmos com afinco e bebermos nosso leite à saúde da Virgem.

A menininha dos fósforos

Era uma vez uma menininha que não tinha nem pai nem mãe e que morava na
floresta negra. Havia nas proximidades da floresta uma aldeia, e ela havia aprendido
que podia comprar lá fósforos por meio pêni que podiam ser vendidos na rua por um
pêni inteiro. Se ela vendesse fósforos em quantidade suficiente, poderia comprar uma
fatia de pão, voltar para sua meia-água na floresta e ali dormir com as únicas roupas
que possuía.
Chegou o vento, e ficou muito frio. Ela não tinha sapatos, e seu casaco era tão
fino que chegava a ser transparente. Seus pés há muito haviam passado do ponto de
estar azuis de frio. Seus dedos dos pés estavam brancos, assim como os dedos das
mãos e a ponta do nariz. Ela perambulava pelas ruas, implorando a desconhecidos
que comprassem fósforos dela. Mas ninguém parava e ninguém prestava a mínima
atenção a ela.
Por isso, uma noite ela se sentou dizendo para si mesma que tinha fósforos e
que podia acender uma fogueira para se aquecer. Só que ela não tinha nem gravetos
nem lenha. Resolveu acender os fósforos assim mesmo.
Ela se sentou com as pernas esticadas para a frente e acendeu o primeiro
fósforo. Ao fazê-lo, pareceu-lhe que o frio e a neve desapareciam por completo. O que
ela viu no lugar da neve rodopiante foi uma sala, uma linda sala com um enorme
fogão de cerâmica verde-escuro, com uma porta de ferro trabalhado em arabescos.
Tanto calor emanava do fogão que o ar chegava a ondular. Ela se aconchegou junto a
ele e se sentiu no paraíso
De repente, porém, o fogão se apagou, e ela estava mais uma vez sentada na
neve, tremendo tanto que os ossos do seu rosto retiniam. E assim ela acendeu o
segundo fósforo. A luz iluminou a parede do edifício ao lado de onde ela estava
sentada, e ela subitamente pôde ver através da parede. Na sala por trás da parede,
havia uma toalha alvíssima sobre a mesa, e ali na mesa havia porcelana do branco
mais branco. Numa travessa, um ganso, que acabava de ser preparado. E,
exatamente quando ela esticou a mão para alcançar o banquete, a miragem
desapareceu.
Ela estava novamente na neve, mas agora seus joelhos e quadris não doíam
mais. Agora o frio abria caminho pelo seu torso e pêlos braços com formigamentos e
ardências, e por isso ela acendeu o terceiro fósforo.
E na chama do terceiro fósforo havia uma linda árvore de Natal, com uma
belíssima decoração de velas brancas, babados de renda e maravilhosos enfeites de
vidro, além de milhares e milhares de pequenos pontos de luz que ela não conseguia
discernir direito.
Ela olhou para o alto dessa árvore enorme que crescia cada vez mais e
avançava cada vez mais na direção do teto até que se transformou nas estrelas do céu
lá em cima. Uma estrela atravessou brilhante o céu, e ela se lembrou de suai mãe lhe
ter dito que, quando morre uma alma, uma estrelai cai.
E do nada surgiu sua avó, tão carinhosa e delicada, e ai menina se sentiu feliz
ao vê-la. A avó levantou o avental, envolveu nele a criança, abraçou-a bem apertado, e
a menina sei sentiu contente.
Mas a avó também começou a desaparecer. A menina acendia cada vez mais
fósforos para manter a avó consigo... cada vez mais fósforos para mantê-la consigo...
cada vez mais... e elas começaram a subir juntas para o céu, onde não havia nem frio,
nem fome, nem dor. E pela manhã, entre as casas, encontraram a menina imóvel e
morta.

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Afugentando a fantasia criativa

Essa criança está num ambiente em que as pessoas não se importam com ela.
Se você está num ambiente desses, saia daí. Essa criança está num meio no qual o que
ela tem, foguinhos em palitos — o início de toda possibilidade criativa — não é
valorizado. Se você estiver numa aflição semelhante, vire as costas e vá embora. Essa
criança está numa situação psíquica na qual há poucas opções. Ela se resignou ao seu
"lugar" na vida. Se isso aconteceu com você, pare de se resignar e saia.
O que a menina dos fósforos deve fazer? Se os seus instintos estivessem
intactos, suas opções seriam inúmeras. Caminhe até uma outra cidade, esconda-se
numa carroça, abrigue-se num depósito de carvão. A Mulher Selvagem saberia o que
fazer em seguida, mas a menina dos fósforos não conhece mais a Mulher Selvagem. A
pequena criança selvagem está morrendo de frio; tudo o que resta dela é uma pessoa
que se movimenta como se em transe.
Estar com pessoas reais que nos aqueçam, que apóiem e elogiem nossa
criatividade, é essencial para a corrente da vida criativa. Do contrário, acabamos
congeladas. O ambiente propício é um coro de vozes tanto interiores quanto
exteriores que observa o estado do ser da mulher, tem o cuidado de incentivá-lo e, se
necessário, também a conforta. Não tenho certeza do número de amigos de que
precisamos, mas decididamente um ou dois que considerem o seu talento, qualquer
que ele seja, pan de cielo, o pão dos céus. Toda mulher tem direito a um coro de
elogios.
Quando as mulheres estão ao relento, no frio, elas costumam viver de fantasias
em vez de ação. Fantasias desse tipo são o grande anestésico. Conheço mulheres
dotadas de vozes maravilhosas. Conheço mulheres contadoras inatas de histórias.
Quase tudo que lhes sai da boca é de improviso e bem elaborado. No entanto, elas se
sentem isoladas ou de algum modo destituídas dos seus direitos. Elas são tímidas, o
que muitas vezes é um disfarce para um animus esfaimado. Elas têm dificuldade para
perceber que recebem apoio de dentro, de amigos, da família ou da comunidade.
Para evitar o destino da menininha dos fósforos, há um importante passo que
você deve dar. Qualquer um que não apóie sua arte, sua vida, não é digno do seu
tempo. É duro mas é verdade. Se não pensarmos assim, adotamos direto os trapos da
menina dos fósforos e somos forçadas a viver uma; fração de vida que mata pelo frio
todo pensamento, toda esperança, talentos, escritos, alegrias, projetos e danças.
O calor deveria ser o principal alvo da menininha dos fósforos. Na história,
porém, ele não é. Pelo contrário, ela tenta vender os fósforos, suas fontes de calor.
Essa atitude não deixa o feminino nem um pouco mais quente, rico ou sábio, e
impede seu desenvolvimento futuro.
O calor é um mistério. Ele de certo modo nos cura e nos gera. Ele é quem solta
o que está preso demais, propicia o movimento livre, o misterioso impulso de ser, o
primeiro vôo das idéias novas. Não importa o que o calor seja, ele aproxima as
pessoas cada vez mais.
A menina dos fósforos não está num ambiente em que possa se desenvolver.
Não há calor, não há gravetos, não há lenha. Se estivéssemos no seu lugar, o que
poderíamos fazer? Para começar, poderíamos não acalentar a terra de fantasia que a
menina cria ao acender os fósforos. Existem três tipos de fantasias. O primeiro é a
fantasia do prazer: uma espécie de sorvete mental, exclusivamente destinada à
fruição, como quando sonhamos de olhos abertos. O segundo tipo de fantasia é a
formação intencional de imagens. Essa fantasia é como uma sensação de
planejamento. Ela é usada como veículo para nos levar a agir. Todos os sucessos —
psicológicos, espirituais, financeiros e criativos — começam com fantasias dessa
natureza. E existe ainda o terceiro tipo, aquela fantasia que paralisa tudo. É o tipo de
fantasia que impede a ação adequada nos momentos críticos.
Infelizmente, é essa a fantasia criada pela menina dos fósforos. É uma fantasia
que não tem nada a ver com a realidade. Ela está relacionada, sim, à sensação de que
não há nada a ser feito mesmo e que não faz diferença se mergulhamos numa fantasia
vã. Às vezes, essa fantasia está na mente da mulher. Às vezes, ela lhe chega numa
garrafa de bebida, numa seringa, ou na falta dessas coisas. Às vezes, a fumaça de um
alucinógeno é o meio de transporte; ou ainda muitos quartos descartáveis,
mobiliados com uma cama e um desconhecido. As mulheres nessas situações estão
representando a menininha dos fósforos em cada noite de fantasias e de mais
fantasias, acordando congeladas e inertes a cada amanhecer. Existem muitas formas
de perder o rumo, de perder nosso foco de atenção.
Estar com pessoas reais que nos aqueçam, que apóiem e elogiem nossa
criatividade, é essencial para a corrente da vida criativa. Do contrário, acabamos
congeladas. O ambiente propício é um coro de vozes tanto interiores quanto
exteriores que observa o estado do ser da mulher, tem o cuidado de incentivá-lo e, se
necessário, também a conforta. Não tenho certeza do número de amigos de que
precisamos, mas decididamente um ou dois que considerem o seu talento, qualquer
que ele seja, pan de cielo, o pão dos céus. Toda mulher tem direito a um coro de
elogios.
Quando as mulheres estão ao relento, no frio, elas costumam viver de fantasias
em vez de ação. Fantasias desse tipo são o grande anestésico. Conheço mulheres
dotadas de vozes maravilhosas. Conheço mulheres contadoras inatas de histórias.
Quase tudo que lhes sai da boca é de improviso e bem elaborado. No entanto, elas se
sentem isoladas ou de algum modo destituídas dos seus direitos. Elas são tímidas, o
que muitas vezes é um disfarce para um animus esfaimado. Elas têm dificuldade para
perceber que recebem apoio de dentro, de amigos, da família ou da comunidade.
Para evitar o destino da menininha dos fósforos, há um importante passo que
você deve dar. Qualquer um que não apóie sua arte, sua vida, não é digno do seu
tempo. É duro mas é verdade. Se não pensarmos assim, adotamos direto os trapos da
menina dos fósforos e somos forçadas a viver uma; fração de vida que mata pelo frio
todo pensamento, toda esperança, talentos, escritos, alegrias, projetos e danças.
O calor deveria ser o principal alvo da menininha dos fósforos. Na história,
porém, ele não é. Pelo contrário, ela tenta vender os fósforos, suas fontes de calor.
Essa atitude não deixa o feminino nem um pouco mais quente, rico ou sábio, e
impede seu desenvolvimento futuro.
O calor é um mistério. Ele de certo modo nos cura e nos gera. Ele é quem solta
o que está preso demais, propicia o movimento livre, o misterioso impulso de ser, o
primeiro vôo das idéias novas. Não importa o que o calor seja, ele aproxima as
pessoas cada vez mais.
A menina dos fósforos não está num ambiente em que possa se desenvolver.
Não há calor, não há gravetos, não há lenha. Se estivéssemos no seu lugar, o que
poderíamos fazer? Para começar, poderíamos não acalentar a terra de fantasia que a
menina cria ao acender os fósforos. Existem três tipos de fantasias. O primeiro é a
fantasia do prazer: uma espécie de sorvete mental, exclusivamente destinada à
fruição, como quando sonhamos de olhos abertos. O segundo tipo de fantasia é a
formação intencional de imagens. Essa fantasia é como uma sensação de
planejamento. Ela é usada como veículo para nos levar a agir. Todos os sucessos —
psicológicos, espirituais, financeiros e criativos — começam com fantasias dessa
natureza. E existe ainda o terceiro tipo, aquela fantasia que paralisa tudo. É o tipo de
fantasia que impede a ação adequada nos momentos críticos.
Infelizmente, é essa a fantasia criada pela menina dos fósforos. É uma fantasia
que não tem nada a ver com a realidade. Ela está relacionada, sim, à sensação de que
não há nada a ser feito mesmo e que não faz diferença se mergulhamos numa fantasia
vã. Às vezes, essa fantasia está na mente da mulher. Às vezes, ela lhe chega numa
garrafa de bebida, numa seringa, ou na falta dessas coisas. Às vezes, a fumaça de um
alucinógeno é o meio de transporte; ou ainda muitos quartos descartáveis,
mobiliados com uma cama e um desconhecido. As mulheres nessas situações estão
representando a menininha dos fósforos em cada noite de fantasias e de mais
fantasias, acordando congeladas e inertes a cada amanhecer. Existem muitas formas
de perder o rumo, de perder nosso foco de atenção.
E o que poderá reverter essa situação e restEstar com pessoas reais que nos aqueçam, que apóiem e elogiem nossa
criatividade, é essencial para a corrente da vida criativa. Do contrário, acabamos
congeladas. O ambiente propício é um coro de vozes tanto interiores quanto
exteriores que observa o estado do ser da mulher, tem o cuidado de incentivá-lo e, se
necessário, também a conforta. Não tenho certeza do número de amigos de que
precisamos, mas decididamente um ou dois que considerem o seu talento, qualquer
que ele seja, pan de cielo, o pão dos céus. Toda mulher tem direito a um coro de
elogios.
Quando as mulheres estão ao relento, no frio, elas costumam viver de fantasias
em vez de ação. Fantasias desse tipo são o grande anestésico. Conheço mulheres
dotadas de vozes maravilhosas. Conheço mulheres contadoras inatas de histórias.
Quase tudo que lhes sai da boca é de improviso e bem elaborado. No entanto, elas se
sentem isoladas ou de algum modo destituídas dos seus direitos. Elas são tímidas, o
que muitas vezes é um disfarce para um animus esfaimado. Elas têm dificuldade para
perceber que recebem apoio de dentro, de amigos, da família ou da comunidade.
Para evitar o destino da menininha dos fósforos, há um importante passo que
você deve dar. Qualquer um que não apóie sua arte, sua vida, não é digno do seu
tempo. É duro mas é verdade. Se não pensarmos assim, adotamos direto os trapos da
menina dos fósforos e somos forçadas a viver uma; fração de vida que mata pelo frio
todo pensamento, toda esperança, talentos, escritos, alegrias, projetos e danças.
O calor deveria ser o principal alvo da menininha dos fósforos. Na história,
porém, ele não é. Pelo contrário, ela tenta vender os fósforos, suas fontes de calor.
Essa atitude não deixa o feminino nem um pouco mais quente, rico ou sábio, e
impede seu desenvolvimento futuro.
O calor é um mistério. Ele de certo modo nos cura e nos gera. Ele é quem solta
o que está preso demais, propicia o movimento livre, o misterioso impulso de ser, o
primeiro vôo das idéias novas. Não importa o que o calor seja, ele aproxima as
pessoas cada vez mais.
A menina dos fósforos não está num ambiente em que possa se desenvolver.
Não há calor, não há gravetos, não há lenha. Se estivéssemos no seu lugar, o que
poderíamos fazer? Para começar, poderíamos não acalentar a terra de fantasia que a
menina cria ao acender os fósforos. Existem três tipos de fantasias. O primeiro é a
fantasia do prazer: uma espécie de sorvete mental, exclusivamente destinada à
fruição, como quando sonhamos de olhos abertos. O segundo tipo de fantasia é a
formação intencional de imagens. Essa fantasia é como uma sensação de
planejamento. Ela é usada como veículo para nos levar a agir. Todos os sucessos —
psicológicos, espirituais, financeiros e criativos — começam com fantasias dessa
natureza. E existe ainda o terceiro tipo, aquela fantasia que paralisa tudo. É o tipo de
fantasia que impede a ação adequada nos momentos críticos.
Infelizmente, é essa a fantasia criada pela menina dos fósforos. É uma fantasia
que não tem nada a ver com a realidade. Ela está relacionada, sim, à sensação de que
não há nada a ser feito mesmo e que não faz diferença se mergulhamos numa fantasia
vã. Às vezes, essa fantasia está na mente da mulher. Às vezes, ela lhe chega numa
garrafa de bebida, numa seringa, ou na falta dessas coisas. Às vezes, a fumaça de um
alucinógeno é o meio de transporte; ou ainda muitos quartos descartáveis,
mobiliados com uma cama e um desconhecido. As mulheres nessas situações estão
representando a menininha dos fósforos em cada noite de fantasias e de mais
fantasias, acordando congeladas e inertes a cada amanhecer. Existem muitas formas
de perder o rumo, de perder nosso foco de atenção.
Estar com pessoas reais que nos aqueçam, que apóiem e elogiem nossa
criatividade, é essencial para a corrente da vida criativa. Do contrário, acabamos
congeladas. O ambiente propício é um coro de vozes tanto interiores quanto
exteriores que observa o estado do ser da mulher, tem o cuidado de incentivá-lo e, se
necessário, também a conforta. Não tenho certeza do número de amigos de que
precisamos, mas decididamente um ou dois que considerem o seu talento, qualquer
que ele seja, pan de cielo, o pão dos céus. Toda mulher tem direito a um coro de
elogios.
Quando as mulheres estão ao relento, no frio, elas costumam viver de fantasias
em vez de ação. Fantasias desse tipo são o grande anestésico. Conheço mulheres
dotadas de vozes maravilhosas. Conheço mulheres contadoras inatas de histórias.
Quase tudo que lhes sai da boca é de improviso e bem elaborado. No entanto, elas se
sentem isoladas ou de algum modo destituídas dos seus direitos. Elas são tímidas, o
que muitas vezes é um disfarce para um animus esfaimado. Elas têm dificuldade para
perceber que recebem apoio de dentro, de amigos, da família ou da comunidade.
Para evitar o destino da menininha dos fósforos, há um importante passo que
você deve dar. Qualquer um que não apóie sua arte, sua vida, não é digno do seu
tempo. É duro mas é verdade. Se não pensarmos assim, adotamos direto os trapos da
menina dos fósforos e somos forçadas a viver uma; fração de vida que mata pelo frio
todo pensamento, toda esperança, talentos, escritos, alegrias, projetos e danças.
O calor deveria ser o principal alvo da menininha dos fósforos. Na história,
porém, ele não é. Pelo contrário, ela tenta vender os fósforos, suas fontes de calor.
Essa atitude não deixa o feminino nem um pouco mais quente, rico ou sábio, e
impede seu desenvolvimento futuro.
O calor é um mistério. Ele de certo modo nos cura e nos gera. Ele é quem solta
o que está preso demais, propicia o movimento livre, o misterioso impulso de ser, o
primeiro vôo das idéias novas. Não importa o que o calor seja, ele aproxima as
pessoas cada vez mais.
A menina dos fósforos não está num ambiente em que possa se desenvolver.
Não há calor, não há gravetos, não há lenha. Se estivéssemos no seu lugar, o que
poderíamos fazer? Para começar, poderíamos não acalentar a terra de fantasia que a
menina cria ao acender os fósforos. Existem três tipos de fantasias. O primeiro é a
fantasia do prazer: uma espécie de sorvete mental, exclusivamente destinada à
fruição, como quando sonhamos de olhos abertos. O segundo tipo de fantasia é a
formação intencional de imagens. Essa fantasia é como uma sensação de
planejamento. Ela é usada como veículo para nos levar a agir. Todos os sucessos —
psicológicos, espirituais, financeiros e criativos — começam com fantasias dessa
natureza. E existe ainda o terceiro tipo, aquela fantasia que paralisa tudo. É o tipo de
fantasia que impede a ação adequada nos momentos críticos.
Infelizmente, é essa a fantasia criada pela menina dos fósforos. É uma fantasia
que não tem nada a ver com a realidade. Ela está relacionada, sim, à sensação de que
não há nada a ser feito mesmo e que não faz diferença se mergulhamos numa fantasia
vã. Às vezes, essa fantasia está na mente da mulher. Às vezes, ela lhe chega numa
garrafa de bebida, numa seringa, ou na falta dessas coisas. Às vezes, a fumaça de um
alucinógeno é o meio de transporte; ou ainda muitos quartos descartáveis,
mobiliados com uma cama e um desconhecido. As mulheres nessas situações estão
representando a menininha dos fósforos em cada noite de fantasias e de mais
fantasias, acordando congeladas e inertes a cada amanhecer. Existem muitas formas
de perder o rumo, de perder nosso foco de atenção.
Estar com pessoas reais que nos aqueçam, que apóiem e elogiem nossa
criatividade, é essencial para a corrente da vida criativa. Do contrário, acabamos
congeladas. O ambiente propício é um coro de vozes tanto interiores quanto
exteriores que observa o estado do ser da mulher, tem o cuidado de incentivá-lo e, se
necessário, também a conforta. Não tenho certeza do número de amigos de que
precisamos, mas decididamente um ou dois que considerem o seu talento, qualquer
que ele seja, pan de cielo, o pão dos céus. Toda mulher tem direito a um coro de
elogios.
Quando as mulheres estão ao relento, no frio, elas costumam viver de fantasias
em vez de ação. Fantasias desse tipo são o grande anestésico. Conheço mulheres
dotadas de vozes maravilhosas. Conheço mulheres contadoras inatas de histórias.
Quase tudo que lhes sai da boca é de improviso e bem elaborado. No entanto, elas se
sentem isoladas ou de algum modo destituídas dos seus direitos. Elas são tímidas, o
que muitas vezes é um disfarce para um animus esfaimado. Elas têm dificuldade para
perceber que recebem apoio de dentro, de amigos, da família ou da comunidade.
Para evitar o destino da menininha dos fósforos, há um importante passo que
você deve dar. Qualquer um que não apóie sua arte, sua vida, não é digno do seu
tempo. É duro mas é verdade. Se não pensarmos assim, adotamos direto os trapos da
menina dos fósforos e somos forçadas a viver uma; fração de vida que mata pelo frio
todo pensamento, toda esperança, talentos, escritos, alegrias, projetos e danças.
O calor deveria ser o principal alvo da menininha dos fósforos. Na história,
porém, ele não é. Pelo contrário, ela tenta vender os fósforos, suas fontes de calor.
Essa atitude não deixa o feminino nem um pouco mais quente, rico ou sábio, e
impede seu desenvolvimento futuro.
O calor é um mistério. Ele de certo modo nos cura e nos gera. Ele é quem solta
o que está preso demais, propicia o movimento livre, o misterioso impulso de ser, o
primeiro vôo das idéias novas. Não importa o que o calor seja, ele aproxima as
pessoas cada vez mais.
A menina dos fósforos não está num ambiente em que possa se desenvolver.
Não há calor, não há gravetos, não há lenha. Se estivéssemos no seu lugar, o que
poderíamos fazer? Para começar, poderíamos não acalentar a terra de fantasia que a
menina cria ao acender os fósforos. Existem três tipos de fantasias. O primeiro é a
fantasia do prazer: uma espécie de sorvete mental, exclusivamente destinada à
fruição, como quando sonhamos de olhos abertos. O segundo tipo de fantasia é a
formação intencional de imagens. Essa fantasia é como uma sensação de
planejamento. Ela é usada como veículo para nos levar a agir. Todos os sucessos —
psicológicos, espirituais, financeiros e criativos — começam com fantasias dessa
natureza. E existe ainda o terceiro tipo, aquela fantasia que paralisa tudo. É o tipo de
fantasia que impede a ação adequada nos momentos críticos.
Infelizmente, é essa a fantasia criada pela menina dos fósforos. É uma fantasia
que não tem nada a ver com a realidade. Ela está relacionada, sim, à sensação de que
não há nada a ser feito mesmo e que não faz diferença se mergulhamos numa fantasia
vã. Às vezes, essa fantasia está na mente da mulher. Às vezes, ela lhe chega numa
garrafa de bebida, numa seringa, ou na falta dessas coisas. Às vezes, a fumaça de um
alucinógeno é o meio de transporte; ou ainda muitos quartos descartáveis,
mobiliados com uma cama e um desconhecido. As mulheres nessas situações estão
representando a menininha dos fósforos em cada noite de fantasias e de mais
fantasias, acordando congeladas e inertes a cada amanhecer. Existem muitas formas
de perder o rumo, de perder nosso foco de atenção.
Continua...
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Parte do livro Mulheres que correm com os lobos.

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