29 setembro 2014

BARBRA STREISAND - AVINU MALKEINU (Nosso Pai, Nosso Rei)





10 dias de Transformação - Sem Culpa
Iniciamos em Rosh HaShaná (quinta-feira) mais uma oportunidade cósmica de preparar nosso futuro. Ao longo do mês de Elul, tivemos nosso acesso facilitado aos erros do passado, para não levar ao ano que se inicia uma carga desnecessária de culpas, um peso morto em nosso caminhar nesse ano.
Rosh HaShaná é o dia no qual os Julgamentos afloram, e Iom Kipur é o dia do ano no qual a energia de Misericórdia é mais intensa. São 10 dias nos quais temos uma chance de “limpar” nossas vidas dos erros cometidos, no ano que se inicia..
Uma das coisas que afeta nosso contato com o divino, são as promessas que não cumprimos. Elas criam um vazio (Chala) entre nós e o divino. Segundo Ari HaKadosh, nesse caso nosso arrependimento não se completa, e apenas em Yom Kipur temos a energia necessária para realizar isso.
Por isso, não devemos fazer promessas, a menos que tenhamos a intenção firme de cumpri-las. Não precisamos prometer nada, esse é um ato de nosso Livre Arbítrio, mas se as fizermos, temos de cumpri-las.
O processo de Teshuvá (cuja tradução incompleta seria “arrependimento”) se trata, segundo o Ari, de elevar o segundo Hei do Tetragrama Sagrado (Malchut) até o primeiro Hei (Biná), que fecha o circuito, restabelecendo dessa forma, nosso contato com o Paraíso.
As armadilhas do Julgamento são: Culpa e Castigo, ideias que vieram através da fé cega pelas religiões, pois ambos são inúteis nesse processo. Nosso Entendimento do que ocorreu e a intenção de não repetir o erro são a forma correta de eliminar essas energias de nossa vida.
Então, ao longo desses 10 dias entre Rosh HaShaná e Iom Kipur, usamos ferramentas especiais para realizar a transformação desse Julgamento em Misericórdia, e garantir um ano melhor. Uma delas é ouvir o toque do Shofar; outra é a oração Avinu Malkenu (Nosso Pai, Nosso Rei), que nos ensina a pedir ao Criador coisas específicas. Porque se não as pedirmos, não estaremos aptos a recebe-las, mesmo que as mereçamos.
Para muitos, o ato de pedir é uma barreira, que essa oração nos ajuda a superar..
Essa oração possui belíssimas versões cantadas, e sempre é bom escutá-las nesses dias, enquando escaneamos: https://www.youtube.com/watch?v=0YONAP39jVE
Outra ferramenta que os cabalistas nos oferecem é um dos 72 Nomes Sagrados:
Hei, CHet, Shin (Sem Culpa)
Meditar sobre esse nome nos faz recordar as ações negativas do passado, sentindo a dor que causamos aos outros. Sempre é bom lembrar que fomos apenas os mensageiros daquilo que a pessoa precisava passar, não os causadores; se não fôssemos nós, teria sido outra pessoa, outra pessoa, Fomos o canal que trouxe até eles a chance de transformação.
Com esse nome, temos a chance de pedir à Luz que retiremos todos os nossos atributos negativos. A força chamada arrependimento repara espiritualmente nossos erros do passado e diminui o lado escuro de nossa natureza.
Também favorece a meditação, a consciência e a inteligência espiritual

Poesia - Barba Azul (por Mariza Ruiz)


Chegou-te
o homem
de barbas
azuladas
com melífluas

palavras
seu coche
enfeitado.
Veio de tão longe.
Veio de estocada.
Ofereceu-te tanto,
nem desconfiaste!
Chegou-te o homem
de olhos negros,
e te fitou intenso,
capturou-te o ventre,
escureceu tua alma.
Veio sem aviso,
veio de repente.
Chegou-te o homem
com quem jamais
sonharas,
escondido jazia,
onde não pensaras.
Veio tão pujante.
Veio tão potente,
esmiuçou teu corpo,
amoleceu-te a alma.
Chegou-te o homem
e te deu mil chaves,
todas do castelo,
onde te mantinha,
silenciosa e calma.
Podias, disse ele,
abri-las pouco a pouco,
olhá-las com afinco,
gozar de seus tesouros.
Apenas proibida,
uma chave pequenina,
jamais poderia
ser desvirginada
a fechadura.
Abriste os aposentos,
abriste quarto a quarto
e viste o que querias,
e muito aproveitaste.
Pequena chave
queimava-te
por dentro,
que terrível segredo
a pequenina porta
encerrava?
Por que não desvirginá-la?
E fostes devagar,
foste amedrontada,
foste com cuidado,
abriste o pequenino
quarto.
Com o terror
te deparaste,
cabeças de mulheres
decepadas por toda
parte.
Trancaste a porta
tão pequena
e contemplaste
a chave:
chorava sangue
e não estancava
as lágrimas.
Tu te apavoraste:
o que dizer ao homem
quando voltasse?
A chave só chorava,
emoções tão guardadas,
e a alma pouco a pouco,
perdia as amarras.
Teus aliados internos
convocavas.
Tuas forças mais profundas
se aprumavam.
Quando mais sangue chorado
mais crescias,
mais te preparavas.
Chegou-te o homem
e não lhe tinhas medo
embora soubesses:
perigo representava
A ele todas as chaves
devolveste
menos a do quarto
terrível onde
as emoções
ficaram por tanto
tempo guardadas.
O homem enfureceu-se
disse: vou matar-te.
Pediste apenas tempo,
de novo as forças
internas convocaste:
teu animus saudável,
tua anima aliada
e, então te apresentaste.
Chego-te agora, homem
e não podes fazer-me nada.
sacas-te tua espada
e olhando-o bem nos olhos
tu o decepaste.


MARIZA RUIZ

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